Com escassez de recursos, pesquisadores da UFV produzem EPIs para equipes médicas

Publicado por Daniel Silva em

A falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os profissionais de saúde, que tratam suspeitos e infectados pela Covid-19, é um drama que toma conta do país. Nos últimos dias, diversos hospitais alertaram para a falta dos materiais básicos, o que preocupa a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com objetivo de garantir a segurança das equipes médicas e a continuidade dos tratamentos, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) se reuniu para produzir alguns dos itens básicos de proteção individual, como EPIs, máscaras e álcool em gel. Essas iniciativas estão presentes na UFV Campus Viçosa e na UFV Campus Rio Paranaíba. Inicialmente, visam suprir as necessidades de suas cidades, mas têm missão de expandir para as suas micro regiões.

A Universidade Pública possui recursos humanos e tecnológicos sempre voltados para contribuir com a sociedade. Em momentos como o que estamos passando, é importante que estes recursos sejam reunidos para mostrar à população que existem pessoas trabalhando por ela, seja na frente direta de ação ou em atividades de suporte para que as equipes de campo possam atuar com segurança e qualidade nos seus atendimentos. Sabemos do grande potencial que a universidade tem para criar, desenvolver e produzir novas ideias unindo profissionais de várias áreas e com diferentes saberes. Acreditamos que esta união de saberes, juntamente com os esforços da comunidade, poderá auxiliar no enfrentamento e combate à Covid-19.

diz Prof. Douglas Lopes de Souza, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, em entrevista.

O EPI é um equipamento de proteção individual que pode ser descartável ou permanente. Além dos laboratórios habilitados para fazer os testes de infecção pelo vírus, os professores do Campus Viçosa, hoje, estão trabalhando em 2 frentes principais: produção de escudos faciais (face Shields) e a produção de máscaras e vestimentas hospitalares.

Os escudos faciais protegem a região do rosto do profissional contra partículas e aerossóis e aumentam a vida útil das máscaras faciais, que protegem a região do nariz e boca. Já os capotes hospitalares protegem a vestimenta do profissional de saúde.

UFV Funarbe EPI
EPI Face Shield/Reprodução/Arquivo Pessoal
UFV Funarbe EPI
EPI Face Shield/Reprodução/Arquivo Pessoal

Os professores do Campus Rio Paranaíba (CRP) também se empenham em realizar testes para Covid-19, produção de álcool e confecção de EPIs.

Como sabemos, o vírus e demais agentes patógenos podem se instalar facilmente na roupa, por isso, quem trabalha em hospitais precisa usar este tipo de equipamento, que está em falta no mercado, afirma Prof. Douglas.

Os protetores faciais são de suma importância para garantir maior segurança aos profissionais da saúde que estão trabalhando no atendimento aos pacientes suspeitos e confirmados com Covid-19. Ele é utilizado por cima de óculos e máscaras, com uma viseira cobrindo toda a face do profissional da saúde, reduzindo o risco de contágio. É um equipamento higienizável e reutilizável e com encaixe de máscara. A necessidade dos encaixes de máscaras surgiu posteriormente, após relatos de que o uso prolongado das máscaras individuais que são presas atrás das orelhas estariam gerando desconforto e até pequenas lesões. Assim, foi incorporado ao kit de EPI um encaixe de máscara, o qual a máscara passa a ser presa neste encaixe e não mais atrás da orelha.

diz Prof. Raiane R. Machado, do Departamento de Engenharia de Produção – Campus Rio Paranaíba, em entrevista.

A equipe de pesquisadores foi reunida a partir de uma chamada pública, feita pela Comissão de Produção de Inovações Tecnológicas no Combate ao Covid 19, que convidou servidores da Universidade a se voluntariarem para discutir, planejar e elaborar soluções para o desenvolvimento de tecnologias em produtos, serviços e processos para o combate à doença causada pelo novo coronavírus.

A Comissão foi criada pelo Departamento de Medicina e Enfermagem da UFV, com a professora Flávia Batista Barbosa de Sá Diaz, e há pessoas de diferentes departamentos trabalhando nas áreas de ação.

A Universidade tem pouco recurso, muito pouco. Mesmo assim, estamos tentando reunir todo capital possível de diversas fontes internas ou externas à UFV. Esperamos que, com a divulgação do nosso trabalho, possamos sensibilizar a comunidade e empresas que queiram ajudar com a compra de materiais para ampliar nosso atendimento.

diz Prof. Douglas, em entrevista.

A Diretoria Geral  do CRP disponibilizou recurso para compra dos insumos iniciais e a Reitoria para compra de uma nova impressora. A quantidade de recurso necessário é incerta, uma vez que iremos confeccionar os EPIs enquanto forem necessários e tivermos condição para isso. Assim, doações são importantes tanto para compra dos insumos, como também para compra de mais impressoras. Em breve precisaremos de mais materiais para manter as duas impressoras em funcionamento.

diz Prof. Raiane R. Machado, em entrevista.

Com pouco recursos, os grupos do Campus Viçosa conseguem produzir cerca de 25 itens por dia. Eles contam com apoio de uma gráfica em Ubá, que ajuda com o serviço de corte do acetato, o que aumentou muito a capacidade de produção. “Em um dia eles conseguem cortar 100 peças. Desta forma conseguiremos finalizar a semana com mais de 80 itens de proteção prontos para serem usados.”, diz Professor Douglas.

Atualmente, o Campus Viçosa possui 8 impressoras 3D, e duas no campus Rio Paranaíba. Diferente das impressoras 2D, elas têm um processo lento. No entanto, a produção pode acelerar, caso consigam mais equipamentos como estes.

A quantidade de recurso necessário é incerta, uma vez que iremos confeccionar os EPIs enquanto forem necessários e tivermos condição para isso. Assim, doações são importantes tanto para compra dos insumos, como também para compra de mais impressoras. São necessários filamentos (PLA ou PETG) para impressão 3D do suporte da viseira e encaixes das máscaras, placas de acetato ou PETG para confecção da viseira, elástico caseado 18 mm para ajuste do protetor facial à cabeça do usuário, embalagem plástica para armazenamento dos protetores para distribuição e impressos com orientações de uso, montagem e higienização. Já estamos trabalhando com uma impressora 3D e uma segunda está em processo de compra aqui no Campus Rio Paranaíba. Apesar da produção lenta, o trabalho ainda é possível ser feito individualmente para evitar circulação de pessoas. A  produção diária tem sido bem variável por um conjunto de fatores, mas a aquisição de mais alguma(s) impressora(s) auxiliará bastante no aumento e constância de produção. Destacando que novas impressoras serão futuramente, pós-pandemia, alocadas em laboratórios de ensino, continuando a promover benefícios sociais.

diz Prof. Raiane R. Machado.
UFV Funarbe EPI
Reprodução/EPI Face Shield/Arquivo pessoal

A produção visa atender a demanda local e da região de ambos os polos, Viçosa e Rio Paranaíba. Segundo um dos professores responsáveis, eles ainda não têm a dimensão de toda demanda externa, pois ela começou a aparecer faz poucas semanas, com a divulgação do trabalho, e afirma que se conseguirem comprar mais impressoras, é possível atender mais de uma cidade por semana “um equipamento deste tipo custa menos do que um computador“, termina ele.

Como é um equipamento relativamente barato, se comparado com os benefícios que permite, poderíamos comprar mais máquinas. Além disso, se houver mais pessoas ou empresas que tenham este tipo de máquina, reduziríamos o prazo de atendimento às demandas que têm surgido. Os recursos poderiam vir de diferentes fontes. Poderia ser por meio de apoio por parte das administrações públicas municipais e estaduais. Hoje também temos grandes empresas e entidades de fomento à pesquisa que estão com editais de apoio às iniciativas que desenvolvem produtos e processos no combate à Covid-19. Estamos atentos a estes editais e em alguns teríamos chance de recurso. Mas a iniciativa individual, seja pela população em geral, empresas ou entidades que se disponham a doações de recursos ou serviços, é ainda a resposta mais ágil.

diz Prof. Douglas.

A Funarbe tem como objetivo possibilitar o desenvolvimento de projetos que contribuam para o avanço da ciência, tecnologia e inovação do nosso país, e por isso, estamos buscando e recebendo doações para que mais equipamentos sejam produzidos e mais cidades assistidas.

Para isso, realizamos uma campanha de arrecadação de doações para investimento em pesquisas que visam combater a Covid-19. Para doar, acesse a nossa plataforma Doações – Funarbe/UFV.

“Vivi muitos anos em Viçosa e estou na UFV desde 2012. Neste ano consegui perceber o significado dela quando comparo com outras instituições e seu impacto na nossa região. Eu acompanhava iniciativas pelo país há algumas semanas em grupos e websites sobre atividades maker. Sabia que, mesmo à distância, eu tinha condições de ajudar e achei no chamado da prof. Flávia o momento de participar. Então, como morador de Viçosa e professor da Universidade, primeiro me sinto cumprindo meu dever. Em segundo lugar, fico feliz em saber que estou ajudando minha família e amigos que moram na cidade de modo indireto quando ajudo as equipes médicas a atuarem com segurança. Nosso grupo está muito empenhado. Ficamos felizes e satisfeitos quando chegamos ao final do dia com um saco cheio de escudos prontos para serem usados.”, diz Prof. Douglas.

A equipe de produção de EPIs também possuem um link para receber doações de equipamentos (impressora 3D e outros); e para registrar a demanda de profissionais de saúde e entidades para entrega dos equipamentos de proteção.

Precisamos sempre pensar coletivamente, assim podemos promover uma sociedade melhor. Esta é minha filosofia de vida e isso prego para meus filhos e alunos. Busco fazer a minha parte e a motivar as pessoas a agir da mesma forma. Não tem sido fácil manter a produção dos kits em home office, sendo mãe de duas crianças pequenas que precisam de acompanhamento para as atividades escolares, pesquisadora com projetos em andamento, orientadora de estudantes com trabalhos que continuam sendo executados, esposa e dona de casa. Ufa…! 🙂 Mas se é preciso ser feito, então será feito.“, Prof. Raiane R. Machado.

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