Carreira científica de mulheres em risco, pesquisa da UFV reconhecida internacionalmente: 5 destaques da semana

Publicado por Daniel Silva em

Carreira científica de mulheres sofrem na pandemia; plataforma para medir dados subnotificados de Covid-19; pesquisa da UFV reconhecida internacionalmente; pegadas pré-históricas corroboram teoria de organização sexual do trabalho; divulgação científica em tempos de pseudociência; separamos 5 notícias destaques do mundo científico da semana, confira.

Produção científica feita por mulheres diminui durante a pandemia enquanto de homens aumenta

The Lily Funarbe
Courtesy of Leslie Gonzales/Einat Lev/Erica Williams; iStock; Lily illustration

Com a crise mundial do novo coronavírus, tivemos que deixar brevemente nossos postos de trabalho oficiais e continuar nossa rotina de casa. Algumas atividades são mais afetadas que outras, devido a infraestrutura, natureza do serviço/produto, e desigualdade de gênero.

Em abril, a editora do The British Journal for the Philosophy of Science, Dra. Elizabeth Hannon, notou que o número de artigos submetidos por mulheres caiu drasticamente, enquanto os artigos publicados por homens aumentaram.

Uma pesquisa feita pelo projeto Parent in Science, durante a primeira semana do mês de abril, constatou que apenas 13% das estudantes de pós-graduação que têm filhos estão conseguindo trabalhar neste período, no Brasil. E o quadro se repete no mundo, como apontam o Inside Higher Education e o The Lily.

Isso revela a assimetria da divisão generificada do trabalho doméstico, na qual toda a responsabilidade de cuidados com filhos, com idosos, e serviços de casa debruçam sobre os ombros das mulheres as tirando oportunidades de carreira e de ocupar outros espaços. O isolamento social agravará mais ainda a desigualdade de gênero em uma área que antes da pandemia já não era equilibrado, e a volta as atividades preocupa, uma vez que ter artigos publicados em revistas acadêmicas é essencial para ser “promovido” na academia e é uma medida crítica de sucesso de muitos programas de pós-graduação. Veja.


Dados de plataforma colaborativa tenta medir subnotificações de covid-19 no Brasil

Colabcovidbr app Funarbe
Informações de contaminações e de mortes são distribuídas em mapa colaborativo Foto: Reprodução

Os infectados pela Covid-19 e óbitos crescem diariamente. Apesar dos números oficias assustarem a população, as subnotificações assustam ainda mais. Inferimos que o caos é bem maior.

Para monitorar e combater a pandemia no Brasil, diversos trabalhos vem sendo desenvolvidos pelas Universidades. Um deles é uma plataforma colaborativa criada para tentar medir as subnotificações de Covid-19 no Brasil, um dos países mais afetados pela doença.

Criada pela equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o projeto Colabcovidbr usa o sistema de cartografia colaborativa, similar ao usado nos aplicativos de trânsito, e a partir de informações passadas pelos usuários, de maneira anônima, distribui os casos pelo mapa do Brasil.

O objetivo principal é contabilizar contaminações e mortes que escapam aos hospitais e testes, afirmam idealizadores. Veja.


Pesquisa da UFV sobre benefícios da cúrcuma para atividades físicas é destaque em revistas internacionais

Cúrcuma açafrão-da-terra
fcafotodigital: Getty Images

A pesquisa liderada pela doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Nutrição da Universidade Federal de Viçosa (PPGCN), Lara Gomes Suhett, com orientação das professoras Juliana Farias de Novaes e Ceres Mattos Dela Lucia, foi destaque em revistas internacionais por avaliarem os efeitos da suplementação da cúrcuma, açafrão-da-terra, na prática de atividade física.

Cúrcuma é um tempero com propriedades medicinais que pode trazer diversos benefícios para a saúde, como cardiovasculares e gastrointestinais, e agora seu potencial foi mais explorado. Segundo as pesquisadoras, o alimento apresenta “redução da inflamação e estresse oxidativo, diminuição da dor e danos musculares, recuperação e desempenho muscular superiores, melhores respostas psicológicas e fisiológicas (térmicas e cardiovasculares) durante o treinamento e melhora da função gastrointestinal. O açafrão-da-terra pode não só ajudar a melhorar a recuperação muscular, como também aumentar o desempenho geral dos exercícios”.

A equipe do projeto contou com a participação das pós-graduandas Alice Divina Melo de Brito, Arieta Carla Gualandi Leal e Brenda Kelly Souza Silveira, do PPGCN, e o doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Física Rodrigo de Miranda Monteiro Santos.

O trabalho foi publicado com o título Effects of curcumin supplementation on sport and physical exercise: a systematic review na revista Crititical Reviews in Food Science and Nutrition e alcançou ainda duas grandes revistas de esportes internacionais, a Runner´s World e a Bicycling. Veja.


Pegadas na Tanzânia sugerem como humanos dividiam tarefas na pré-história

Pegadas na Tanzânia Funarbe
Pegadas na Tanzânia sugerem como humanos dividiam tarefas na pré-história. Acima: uma das pegadas encontradas pela equipe. (Foto: William Harcourt-Smith/The Conversation)

Muitos historiadores tentam descrever como era o comportamento do homem pré-histórico, e nova descoberta sinaliza para guiar a história para outro lado. Algumas teorias acreditavam que os caçadores-coletores daquela época dividiam o trabalho com base no sexo dos indivíduos, mas novas evidências podem provar novos aspectos.

Segundo o artigo publicado na revista Nature, foram descobertas 408 pegadas feitas por um grupo de 17 hominídeos que passaram pela região Engare Sero, nos arredores do vulcão Ol Doinyo Lengai, no norte da Tanzânia, entre 06 e 19 mil anos atrás.

De acordo com o trabalho da geóloga Cynthia Liutkus-Pierce e sua equipe, 17 faixas de pegadas eram de um grupo composto por 14 mulheres adultas, dois homens adultos e um(a) jovem cujo gênero não pôde ser identificado. As pistas pré-históricas foram analisadas com base em seu tamanho, nas distâncias entre elas e em suas orientações, e sugerem que foram criadas por indivíduos que se moviam juntos na direção sudoeste, a partir do sítio arqueológico. O que pode afirmar que mulheres estavam procurando comida acompanhadas pelos homens.

“Os forrageadores modernos, como os Hadza, na Tanzânia, e os Ache, no Paraguai, tinham grupos de fêmeas adultas que coletavam alimentos de forma cooperativa, com visitas ocasionais ou acompanhamento de machos adultos”, explicaram os pesquisadores. Veja.


Especialistas apostam na confiança e na emoção para combater a desinformação

Professor Yurij Castelfranchi
Castelfranchi: descolamento entre instituições e população. Imagem: Raphaella Dias / UFMG

Nos últimos tempos, estamos enfrentando uma onda de desinformação e pseudociência. Muitas hipóteses que já tinham sido confirmadas por meio de estudos com metodologias científica, voltaram a ser pautadas e argumentadas com opiniões subjetivas e crenças que invalidam o processo de estudo sustentado em evidências que a Ciência faz.

Em debate da Marcha pela Ciência, campanha que visa reforçar a luta que já dura anos por recursos adequados para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, e para a saúde e educação no País, que aconteceu no dia 07 de maio deste ano, professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) conversaram sobre divulgação científica em tempos como este, e distanciamento entre instituição e população.

“Os disseminadores da pseudociência têm sabido se conectar aos sentimentos das pessoas, apelando a emoções como o medo e o ódio. Nós, divulgadores da ciência, devemos construir emoção positiva para aproximar o conhecimento científico dos grupos sociais. Não basta evitar palavras difíceis ou simplificar conceitos, é preciso mostrar como funciona nosso trabalho e estabelecer relação de confiança com esses grupos” afirmou o professor Yurij Castelfranchi, do Departamento de Sociologia da UFMG.

“Devemos manter contato intenso, cotidiano, com as pessoas nas periferias e de baixa escolaridade. Mais de 80% da boa divulgação científica não chega a 10% dos brasileiros. Há um descolamento entre as instituições e parcela muito grande da população”, diz Yurij. Veja a matéria completa aqui.


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