Universo paralelo, brasileira cria tecnologia que pode investigar vida em Marte: 5 destaques da semana

Publicado por Daniel Silva em

NASA não descobriu universo paralelo; cientistas descobrem como o estresse causa cabelos brancos; brasileira inova estudos de evolução da vida na Terra; primeiro extrato de canabidiol chega às farmácias; pesquisadora brasileira participa do maior experimento em colaboração remota: veja as 5 notícias destaques do mundo científico da semana.

Fake news: NASA não descobriu universo paralelo onde o tempo passa ao contrário

Universo Paralelo Blog Funarbe
Planeta tocando um universo paralelo/reprodução/internet

Nos últimos dias, uma notícia que a NASA teria descoberto um universo paralelo, em que o tempo funciona ao contrário (de trás para frente) do nosso, mexeu com as fragilizadas estruturas da internet. 2020 não para de surpreender. Não lamento informar que essa notícia é falsa, fake news.

Podemos começar desmentindo que a pesquisa não foi feita pela NASA (National Aeronautics and Space Administration), o experimento foi conduzido pelos pesquisadores do Antarctic Impulsive Transient Antenna (ANITA). Esse estudo é feito na Antártida com uma série de antenas de rádio presas a um balão de hélio que voam sobre uma camada de gelo a 37 mil metros de altitude, para detectar as ondas de rádio ou microondas produzidas por neutrino de altíssima energia quando ele penetra no gelo e sofre o efeito Askaryan e, a partir dele, é possível saber qual foi a energia do neutrino e de qual direção do céu ele veio.

O pulo do gato, que despertou interesse internacional, foi a direção de viagem da partícula que geralmente vem do espaço e entra no gelo, gerada por colisões entre raios cósmicos e os fótons cósmicos de microondas que permeiam o Universo. Desta vez,  veio de dentro da Terra, como se tivesse entrado pela Sibéria, atravessado o planeta e saído pela Antártida. Esse fenômeno adiciona informações a mais sobre o que já é conhecido a respeito dessas partículas, no entanto, não há dados suficientes para afirmar o que de fato causou essa direção inesperada. Algumas explicações possíveis são levantadas no artigo original, veja.

Cientistas sabem como o estresse pode causar cabelos brancos

Rato estresse cabelo branco
Ratos de pelagem escura que sofreram estresse por dor tiveram pelagem embranquecida – Foto: William A Gonçalves via Agência Fapesp

A maioria de nós cresceu ouvindo que uma vida tranquila, sem estresse, não nos daria cabelos brancos cedo. Até o momento, havia poucos estudos que validavam a ligação entre estresse e envelhecimento acelerado dos cabelos, mas esse quadro foi mudado por um recente estudo publicado na revista Nature, conduzido por um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), USP, em parceria com um grupo da Harvard University (Estados Unidos).

Os resultados divulgados mostram que a ativação intensa do sistema nervoso simpático (que prepara o corpo para “lutar ou correr” em situações extremas) acelera envelhecimento das células-tronco do bulbo capilar e interrompe a produção de pigmento. A descoberta foi por acaso em um estudo sobre dor em camundongos da linhagem Black-C57, cuja pelagem é negra, na qual foi aplicado uma substância chamada resiniferatoxina para ativar um receptor expresso nas fibras nervosas sensoriais e induzir uma sensação dolorosa intensa. Cerca de quatro semanas após a indução, observaram que os animais estavam com os pelos completamente brancos.

Com mais testes e a integração de grupos de pesquisa, descobriram como bloquear o embranquecimento capilar inibindo a neurotransmissão pelas fibras simpáticas. Esses resultados podem trazer avanços estéticos e possivelmente, no futuro, o estresse não nos deixará de cabelos brancos. No entanto, não se sabe ainda os efeitos colaterais deste inibidor. Veja a matéria completa aqui.


Brasileira inova estudos de evolução da vida na Terra e abre perspectivas para investigação de vida em Marte

Microfóssil mostrando a matéria orgânica (verde), com fraturas internas (azul) e cristais de magnetita (laranja)
Microfóssil mostrando a matéria orgânica (verde), com fraturas internas (azul) e cristais de magnetita (laranja)/reprodução.

De forma simples, a palebiologia é uma área que busca conhecer melhor a origem e evolução da vida no planeta. Uma recente descoberta liderada por cientista brasileira, Lara Maldanis, pesquisadora do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), órgão do CNPEM, com apoio de outros pesquisadores, possibilitará que a humanidade possa entender ainda mais suas origens.

A técnica inovadora de produção de imagens de microfósseis, por meio de tomografia com alta resolução, permite que os pesquisadores consigam pela primeira vez observar microfósseis no interior de rochas sem destruí-los. Nomeada como Ptychographic X-ray Computed Tomography, a função cria uma visualização dos microrganismos em 3D, dentro de minúsculos pedaços de rocha. A equipe usou raios-X do tipo síncrotron, um feixe de luz muito intenso produzido em grandes aceleradores de partículas. O estudo foi publicado no periódico Scientific Report.

Essa nova técnica não só aumenta as perspectivas de compreensão das vidas que habitavam nosso planeta, como também, promete ampliar suas análises para estudo de vida fora dele em amostras de rochas de Marte. Esta é uma missão para a próxima década, e está sendo organizada pela NASA e ESA (Agência Espacial Europeia). Veja.


Primeiro extrato de canabidiol desenvolvido na USP chega às farmácias para aplicações terapêuticas

Canabidiol desenvolvido na USP chega às farmácias
Canabidiol desenvolvido na USP chega às farmácias/reprodução/internet

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estudam as possíveis aplicações farmacêuticas para compostos derivados da planta Cannabis sativa (maconha) há décadas. Instituição que mais publica trabalhos científicos sobre canabidiol (CBD) no mundo, em parceria com uma indústria farmacêutica do Paraná, colocou o primeiro extrato nas farmácias.

O CBD é umas das substâncias encontradas na maconha, canabionoides, que age sobre o sistema nervoso central (especialmente no cérebro). Pesquisada em todo o mundo para séries de aplicações terapêuticas, no tratamento de doenças como, epilepsia, esclerose múltipla, doença de Parkinson, esquizofrenia, ansiedade, fobias sociais e vários outros distúrbios psiquiátricos e emocionais. A venda deste produto está condicionada à apresentação de receituário tipo B (azul), de numeração controlada, como o que já ocorre com calmantes, antidepressivos e outras substâncias psicoativas, que atuam sobre o sistema nervoso central.

O produto brasileiro foi registrado como um fitofármaco, fármaco de origem vegetal, sem indicação clínica pré-definida. O que significa que pode ser receitado para qualquer condição em que o canabidiol seja considerado potencialmente benéfico para o paciente. Veja.


Pesquisadora brasileira participa de um dos maiores experimentos em colaboração remota já feito

Depoimento Vanessa Testoni Pesquisa na Quarentena
Em reunião no Marrocos em janeiro de 2019, como parte da delegação internacional da Samsung/reprodução/Arquivo pessoal

Com a migração do trabalho para dentro de nossas casas, muitas atividades foram influenciadas. Por exemplo, aquelas que demandam infraestrutura, colaboração direta em uma só ação, e aquelas que seus profissionais precisam se dividir entre trabalho doméstico e carreira. Essa adaptação foi generosa com algumas pessoas, como é o caso da pesquisadora Vanessa Testoni.

Cientista da computação, Vanessa trabalha como líder da delegação brasileira em comitê internacional que define padrões para a compressão e transmissão de áudio, imagem e vídeo, na Samsung Research Institute Brazil, em Campinas. O trabalho foi caracterizado como maior experimento remoto por envolver muitos pesquisadores de todos os países em uma reunião para definir novos padrões para a compressão e transmissão de áudio, imagem e vídeo do MPEG, ou Grupo de Especialistas em Imagens com Movimento, formado pela ISO/IEC e pela ITU-T, o setor de normatização das telecomunicações da União Internacional de Telecomunicações. O que gerou centenas de delegações conectadas durante muitas horas por dia, em que cada empresa apresentava o que desenvolveu para submeter à avaliação de outras empresas e especialistas.

A pesquisadora, em entrevista à Revista Pesquisa FAPESP, deu mais detalhes sobre a importância do seu trabalho e o modelo de execução. Veja na íntegra.


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