5 notícias destaques de estudos científicos sobre o meio ambiente

Publicado por Daniel Silva em

Na semana do meio ambiente, separamos 5 notícias destaques de estudos científicos.


Leitura rápida:

  • Relatório aponta que 99% do desmatamento no Brasil em 2019 foi ilegal;
  • Pesquisa da UFV conclui que metas de regeneração da Mata Atlântica dificilmente serão atingidas;
  • Queda nas emissões de CO2 é temporária e não retarda aquecimento global;
  • Reduzir consumo de carne beneficia saúde, economia e meio ambiente;
  • Pesquisadores alertam para branqueamento de corais no Nordeste.

Relatório aponta que 99% do desmatamento no Brasil em 2019 foi ilegal

Relatório aponta que 99% do desmatamento no Brasil em 2019 foi ilegal
Somente na região de Altamira, no Pará, 4 milhões de árvores foram derrubadas.

Não é de hoje que nos deparamos com notícias de aumento do desmatamento no Brasil. Por anos, vemos nossas florestas e solos serem derrubadas e degradadas para o plantio e criação de gados. Uma pesquisa inédita feita pelo MapBiomas, mostra que 99% do desmatamento no Brasil em 2019 foi ilegal, cerca de 12 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa foram destruídos, constatados 56 mil pontos de desmatamento.

O MapBiomas é uma iniciativa que reúne dezenas de entidades, como universidades, ONGs e empresas de tecnologia, e realizou este relatório analisando todas as imagens de satélites dos alertas de desmatamento emitidos por várias fontes, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Todos os biomas foram afetados, contudo o Cerrado e a Amazônia lideram como maiores impactados. O relatório revela que 11% dos alertas foram registrados em unidades de conservação e quase 6% em terras indígenas, e que dois terços das áreas de desmatamento têm dono reconhecido ou declarado. Veja.


Pesquisa da UFV conclui que metas de regeneração da Mata Atlântica dificilmente serão atingidas

Floresta em regeneração (ES), cerca de 20 anos pós-fogo

Pesquisa feita por pesquisadores da UFV mostra que as metas atuais de regeneração da paisagem da Mata Atlântica dificilmente serão atingidas. O estudo foi conduzido  pela doutoranda Nathália Vieira Hissa Safar, do Programa de Pós-Graduação em Botânica da UFV, e pelos professores Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer (Departamento de Solos/UFV) e Luiz Fernando Silva Magnago (Centro de Formação em Ciências Agroflorestais da Universidade Federal do Sul da Bahia).

No artigo publicado na revista Forest Ecology and Management, os pesquisadores tratam a capacidade de regeneração natural, ou resiliência, de remanescentes de florestas de tabuleiro, num contexto de paisagem altamente fragmentada, como a do bioma Mata Atlântica. Também é discutido as implicações dos resultados no cumprimento de metas globais e nacionais para restauração florestal, conservação da biodiversidade e mitigação de mudanças climáticas.

O estudo é intitulado Resilience of lowland Atlantic forests in a highly fragmented landscape: insights on the temporal scale of landscape restoration. Veja mais.


Queda nas emissões de CO2 é temporária e não retarda aquecimento global

Incêndio na Amazônia: enquanto no mundo espera-se redução de 7% nas emissões, Brasil aumentou em 51,4% a derrubada das florestas - 10/09/2019 Bruno Kelly/Reuters
Incêndio na Amazônia: enquanto no mundo espera-se redução de 7% nas emissões, Brasil aumentou em 51,4% a derrubada das florestas – 10/09/2019 Bruno Kelly/Reuters

Devido às restrições para conter a pandemia da Covid-19, as emissões de dióxido de carbono (CO2) caíram 17% em escala mundial, segundo estudo publicado na revista Nature Climate Change. Com o isolamento social e a redução das atividades econômicas, pode-se notar rios com águas mais cristalinas, vidas selvagens ocupando espaços urbanos e paisagens reconstruídas. Apesar da redução de gases poluentes, essa baixa produção é temporária e não retarda o aquecimento global.

No Brasil, no pico da quarentena, entre 20 de março e 3 de abril, houve uma queda de 25,2% de emissão de CO2, mas esse número não se manteve. Com o aumento do desmatamento, a taxa terminou o mês de abril em 8%.

A queda de emissão mundial é só questão de tempo, entenda como a política enérgica de cada país fará um aumento rebote muito acima da média. Veja.


Reduzir consumo de carne beneficia saúde, economia e meio ambiente

Gado Nelore meio ambiente
Foto: Alfoto/iStock by Getty Images

A redução do consumo global de carnes pode melhorar a saúde, o meio ambiente e também a economia, afirma estudo feito por pesquisadores do departamento de sustentabilidade da Universidade de Oxford, publicado na revista científica PNAS. As análises foram feitas sobre a influência na saúde e nas emissões de gases de efeito estufa.

A criação de animais ruminantes, para o consumo de carne, afeta o meio ambiente de variadas formas. O gado libera grandes quantidades de gás metano na atmosfera, um poluente 21 vezes pior do que o CO2. Além disso, o desmatamento, para manter a pecuária e a agricultura em larga escala, colabora para a perda de florestas que atuam como importantes pontos de armazenamento de carbono. Sem contar o impacto na biodiversidade local.

Os pesquisadores desenharam quatro cenários em um modelo computadorizado para analisar como cada um deles se apresentaria em 2050 em relação a saúde, economia e meio ambiente. Veja.


Pesquisadores alertam para branqueamento de corais no Nordeste

Fotos: UFPB
Fotos: UFPB

Os recifes de corais marinhos no estado da Paraíba estão passando por um gravíssimo processo de branqueamento, alerta pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Segundo eles, se a situação permanecer por mais três meses, a biodiversidade do ecossistema pode estar ameaçada.

De acordo com o Laboratório de Ambientes Recifais e Biotecnologia com Microalgas (LARBIM) da UFPB, os corais mais afetados estão no litoral paraibano, na Praia do Seixas, no litoral sul. Das 1,1 mil colônias monitoradas, 93% estão totalmente branqueadas.

O branqueamento dos corais não significa que estão mortos, mas que estão debilitados e vulneráveis. Apesar da descoloração ocorrer ciclicamente, agora está se tornando mais frequente, assim como as anomalias térmicas estão mais intensas, afirma Cristiane, professora do Departamento de Sistemática e Ecologia da UFPB e coordenadora do LARBIM.

Essa situação foi registrada nos recifes do Estado de Pernambuco, e em outros estados do Nordeste, como Rio Grande do Norte e Ceará. Na Austrália, em março deste ano, também foi registrado o maior evento de branqueamento dos últimos dez anos. Veja.



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