Identidade do migrante nordestino, como cloroquina afeta o coração: 5 notícias destaques da semana

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


Leitura rápida:

  • Estudos mostram como hidroxicloroquina afeta o ritmo do coração;
  • Minifígados criados em laboratório são transplantados em ratos com sucesso;
  • Educomunicação debate impacto das mídias digitais na educação;
  • Cientistas criam hemácias sintéticas capazes de transportar medicamentos;
  • Como preconceito interfere na percepção sobre a identidade do migrante nordestino.

Pesquisas mostram como hidroxicloroquina afeta o ritmo do coração

Estudo mostra como hidroxicloroquina afeta o ritmo do coração (Foto: Georgia Tech)
Estudo mostra como hidroxicloroquina afeta o ritmo do coração (Foto: Georgia Tech)

A hidroxicloroquina e a cloroquina têm sido estudadas para tratar pessoas infectadas com a Covid-19. Por serem usadas em tratamentos de pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES), doença autoimune, e contra a malária, respectivamente, os medicamentos trouxeram esperança para o combate a doença do novo coronavírus. Depois de especulações, ensaios clínicos e testes foram feitos para comprovar a eficiência da droga.

Um estudo brasileiro, publicado no periódico científico internacional Jama, detectou que o medicamento causou alterações perigosas no ritmo cardiovascular de um quarto dos primeiros 81 pacientes testados. O que fez com que a equipe cancelasse o resto dos testes, a ideia inicial era avaliar a cloroquina em 440 pessoas diagnosticadas com a Covid-19. A taxa de mortalidade dos pacientes tratados com a droga também foi alta. Em outro artigo, publicado por cientistas norte-americanos na medRxiv, foi associado o remédio a uma maior taxa de mortalidade dos infectados pelo novo coronavírus.

Pesquisadores da Universidade Uppsala, na Suécia, compararam os níveis da droga em partes isoladas (plasma e soro) e em todo o sangue de pacientes com lúpus, isso para analisar a taxa do medicamento no metabolismo, já que antes o índice era avaliado apenas nas partes isoladas do sangue. A conclusão é que a hidroxicloroquina pode ser metabolizada de maneiras diferentes em cada pessoa, sendo assim, possíveis riscos da droga poderiam ser minimizados ajustando a dosagem para cada paciente. Esses dados levarão a dosagens corretas aos doentes com LES que usam o medicamento, o que não se aplica àqueles com Covid-19, afirma estudo publicado na Arthritis Research and Therapy.

As alegações entusiásticas sobre a cloroquina e a hidroxicloroquina devem ser feitas com cuidado. Os recentes estudos feitos sobre os medicamentos indicam que esses remédios não ajudam a combater a doença, e em alguns casos podem inclusive levar à morte, como diz o artigo publicado na Heart Rhythm, que avaliou como as drogas criam distúrbios graves no coração de animais. Embora essa análise tenha sido feita em dois tipos de corações de animais, os dados observados indicam como podem causar disfunções nos nossos sinais elétricos cardíacos. Veja.


Minifígados criados em laboratório são transplantados em ratos com sucesso

Minifígados criados em laboratório são transplantados em ratos com sucesso (Foto: University of Pittsburgh)
Minifígados criados em laboratório são transplantados em ratos com sucesso (Foto: University of Pittsburgh)

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, criaram minifígados funcionais a partir da pele humana e os transplantaram em cinco comundongos. Segundo eles, as miniaturas surgiram a partir da reprogramação de partículas da pele humana que foram transformadas em células-tronco e então em células hepáticas.

Os minifígados secretam ácidos biliares e ureia como um órgão normal, e apesar de ter sido observado problemas de fluxo sanguíneo dentro e ao redor do enxerto em todos os casos, os órgãos transplantados funcionaram bem.

Esse resultado deixa a comunidade científica otimista, pois representa avanços na criação de órgãos em laboratório, o que a longo prazo pode substituir a doação de órgãos, e ser uma ponte para o transplante. O artigo foi publicado com o título Assembly and Function of a Bioengineered Human Liver for Transplantation Generated Solely from Induced Pluripotent Stem Cells na revista Cell Report. Veja.


Educomunicação debate impacto das mídias digitais na educação

educação e mídias sociais/reprodução/internet
Educação e mídias sociais/reprodução/internet

A Educomunicação é uma ciência aliada da educação contemporânea, que utiliza seus recursos comunicacionais e suas várias linguagens, como as mídias digitais, o rádio, o cinema, os documentários, a fotografia, para valorizar o poder de interação e abrangência entre educadores e educandos.

Um recente estudo publicado na revista Comunicação & Educação debate sobre as questões que afetam a educação hoje, em relação aos impactos das mídias digitais em um “contexto de permanente conexão com o processo de ensino-aprendizagem”, dizem os autores Lucilene Cury e Marciel Consani.

Veja o que os  pesquisadores buscam compreender nas questões que afetam a educação atualmente, aqui.


Cientistas criam hemácias sintéticas capazes de transportar medicamentos

Cientistas criam glóbulo vermelho sintético capaz de transportar medicamentos (Foto: ACS Nano)
Cientistas criam glóbulo vermelho sintético capaz de transportar medicamentos (Foto: ACS Nano)

Estudiosos da Universidade do Novo México, Estados Unidos, criaram hemácias artificiais, glóbulos vermelhos sintéticos, com todas as habilidades naturais dessas células e algumas adicionais. As hemácias são responsáveis por absorver o oxigênio dos pulmões e transportá-lo pelo corpo, devido à hemoglobina, uma molécula que contém ferro e é capaz de se ligar ao oxigênio circulante.

A intenção deste feito foi produzir hemácias artificiais com propriedades semelhantes às naturais, mas que também pudessem realizar novas funções, como transportar medicamentos e detectar toxinas. Apesar de terem durado somente mais de 48 horas em organismos de ratos, os resultados iniciais foram animadores para transportar medicamentos anticâncer, um sensor de toxinas ou nanopartículas magnéticas, e não apresentaram toxicidade observável.

O artigo foi publicado com o título Biomimetic Rebuilding of Multifunctional Red Blood Cells: Modular Design Using Functional Componentsna, revista ACS Nano. Veja.


Estudo mostra que preconceito interfere na percepção sobre a identidade do migrante nordestino

Visões generalistas colocam no mesmo grupo de “nordestinos” os que vieram do Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia, quando o fato é que cada um desses “povos traz consigo a história e a cultura peculiar de sua região”. Centro de Tradições Nordestinas em São Paulo – Foto: Juliana Ribeiro

Muitas vezes, não paramos para refletir a origem de certos dizeres ou expressões. Crescemos com hábitos que podem ser negativos para pessoas e povos, o que reflete em exclusão social e deslegitimação de identidades.

Um recente estudo, realizado pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, mostra como o imaginário sócio-discursivo sobre a identidade nordestina está carregado de preconceitos e termos pejorativos que perseguem um grupo historicamente oprimido. De acordo com os pesquisadores, isso ocorre devido a ideologia eugenista de que supostamente a biologia poderia selecionar os “melhores” membros da raça humana.

Entenda como expressões como “cabeça chata”, “baiano” e “mulher macho” marcam negativamente a imagem dessas pessoas nas grandes metrópoles. Veja.


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