Base de dados sobre Covid-19 de doutorando da UFV é referência internacional: 5 destaques da semana

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


Leitura rápida:

  • New York Times utiliza base de dados sobre Covid-19 criada por doutorando da UFV;
  • Observatório do Clima lança site para combater fake news sobre meio ambiente;
  • Pesquisar sintomas no Google pode ser prejudicial e gerar preocupação desnecessária;
  • A escravização e racismo no Brasil, mazelas que ainda perduram;
  • Sexta extinção em massa já está acontecendo e mais rápido do que se pensava.

New York Times utiliza base de dados sobre Covid-19 criada por doutorando da UFV

Mapa interativo: Wesley Cota

base de dados sobre a evolução da Covid-19 no Brasil, desenvolvida pelo Wesley Cota, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Física da UFV, tem servido de fonte de referência para organizações científicas e para importantes canais de comunicação do país e do mundo.

Em sua base de dados, Wesley registra o histórico dos números de casos e óbitos oficialmente divulgados pelo Ministério da Saúde para o Brasil e para cada estado. São utilizados também os dados das secretarias estaduais de saúde com os casos de cada município. Diferente das outras bases existentes, a do doutorando tenta agregar informações incorporando dados extras. Além de apresentar os números oficiais do Ministério da Saúde, ele também divulga o de recuperados, suspeitos e testes em nível estadual. O objetivo é ter uma base de dados única com o máximo de informações possíveis para facilitar a análise. Ademais, no site há um mapa interativo e gráficos de regiões e estados para diferentes métricas, todos automáticos.

Segundo Wesley, desde o início da pandemia no Brasil, houve problemas com o acesso aos dados da Covid-19 no país. A plataforma oficial do Ministério da Saúde mudou pelo menos três vezes durante esse período, com alterações nos arquivos originais e na apresentação. “O ápice ocorreu no último final de semana, quando omitiram os dados acumulados e tivemos um apagão temporário deles. Nunca houve um padrão, e já falam novamente em mudar o formato dos arquivos. Isso é péssimo para a pesquisa”, finaliza ele. Veja.


Observatório do Clima lança site para combater fake news sobre meio ambiente

O site tem como objetivo combater as fake news sobre meio ambiente (Foto: Reprodução)

A plataforma Fakebook.eco é um espaço para denunciar conteúdos falsos e também compartilhar material educativo sobre questões ambientais. Foi criada pelo Observatório do Clima (OC), rede composta por diversas organizações não governamentais e movimentos sociais, com objetivo de combater a desinformação ambiental no Brasil.

Pioneira em trazer esclarecimentos sobre os principais mitos do meio ambiente em uma plataforma online, ela também verifica discursos de autoridades públicas e notícias falsas que circulam pelas redes. Na sessão “falácias frequentes”, encontramos quais são as mentiras mais comuns sobre clima, florestas, regulação e uso de terras. Na sessão “verificamos”, seus idealizadores se dedicam a confirmar a vericidade de declarações dadas por autoridades referentes ao meio ambiente.

Além disso, a plataforma contém material educativo e um serviço de denúncias de conteúdos suspeitos encontrados na internet. Veja.


Pesquisar sintomas no Google pode ser prejudicial e gerar preocupação desnecessária

Google investe em ações contra a desinformação

Quem nunca sentiu uma dorzinha pelo corpo e já foi correndo ao Google pesquisar o que causou aquele sintoma? O que poderia ser “uma dormida de mal jeito”, pode ter dezenas de apontamentos nos mecanismos de pesquisa. Esse comportamento de confiar a saúde a buscas superficiais e hipóteses improváveis é prejudicial e gera preocupação, ansiedade e até desespero desnecessários.

Pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, estudaram sobre o assunto, e concluíram que as pesquisas sobre sintomas e doenças podem fazer com que a pessoa se sinta pior, e ainda menos informada. Isso porque, é possível ser vítima de uma espécie de efeito placebo, só que ao contrário. Os resultados da pesquisa também podem confundir e proporcionar suposições errôneas. Além de levar os usuários a realizarem automedicação de forma indevida.

As informações vêm ‘duras’, não-lapidadas, sem filtro qualquer, e sintomas isolados muitas vezes são inespecíficos. “A diferenciação de sintomas genéricos em situações mais específicas vai depender de alguma expertise e da capacidade de lidar com outras informações que devem ser pesquisadas em conjunto com o paciente”, diz Rafael Mendonça Rey dos Santos, médico de família e professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Veja.


A escravização e racismo no Brasil, mazelas que ainda perduram

Colunista Eunice Aparecida de Jesus Prudente, docente da Faculdade de Direito da USP – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Nas últimas semanas, diversos protestos contra o racismo ocorreram em grandes cidades do mundo. Suplicando justiça racial, o movimento #BlackLivesMatter (em português Vidas Pretas Importam) veio em resposta a morte de um norte americano, vitima da violência policial contra corpos pretos, George Floyd.

Em resumo, o racismo é um sistema estrutural historicamente situado que oprime um grupo racial baseado na ideologia da supremacia da raça branca. Em um artigo publicado no Jornal da USP, Eunice Prudente, professora da Faculdade de Direito (FD) da USP e colunista da Rádio USP, discorre sobre escravização e racismo no Brasil com um apanhado histórico e teórico explicando como e porque essas mazelas perduram até nos dias atuais.

“Ainda que tenhamos, ao longo da história brasileira, criado legislações que reconhecem nossa diversidade, estamos muitos distantes da inclusão social necessária. Enfrentamos momentos difíceis, ditaduras, crises políticas e econômicas, mas a democracia conquistada há trinta anos nos inspira a prosseguir, construindo uma sociedade pautada por direito respeitoso de nossa diversidade que expresse todos os cidadãos.”, diz Eunice no início do seu artigo. Veja.


Sexta extinção em massa já está acontecendo e mais rápido do que se pensava

Extinção da vida marinha
nevodka/Getty Images

Ao longo da história, 5 eventos de extinção em massa aconteceram na Terra. São eles, Ordoviciano-Siluriano (443 milhões de anos atrás); Devoniano (383-359 milhões de anos atrás); Permiano-Triássico (250 milhões de anos atrás); Triássico-Jurássico (200 milhões de anos atrás); Cretáceo-Paleógeno (65 milhões de anos atrás); e de acordo com estudo publicado na revista Science, estamos vivendo o sexto, chamado de Holoceno (período que se iniciou há cerca de 11 mil anos).

O estudo intitulado Accelerated modern human–induced species losses: Entering the sixth mass extinction, publicado em 2015, compilou evidências para confirmar o que a comunidade científica já especulava: tudo indica que estamos de fato vivendo uma extinção em massa. Com ações desenfreadas da humanidade, como desmatamento, uso indevido do solo, pesca e caça ilegal, diversas espécies estão desaparecendo mais rápido do que se esperava. O que confirma o recente estudo, do mesmo grupo do primeiro, intitulado Vertebrates on the brink as indicators of biological annihilation and the sixth mass extinction.

De acordo com os artigos, a taxa de extinção de vertebrados terrestres do período 1900-2050 será 117 vezes maior do que a taxa de extinção esperada, que em condições ‘normais’, apenas nove espécies do tipo seriam extintas naturalmente. Em dados de 77 espécies de mamíferos e pássaros, que estão no grupo de seriamente ameaçadas, os pesquisadores descobriram que 94% de todas as populações dessas espécies sumiram no último século. Generalizando essa porcentagem para as outras espécies do grupo de maior risco, estimam que mais de 237 mil populações desses animais sumiram desde 1900. Veja.


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