Equipamento desenvolvido na UFV oferece maior proteção durante intubação de pacientes com Covid-19: 5 destaques

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


Leitura rápida:

  • Pesquisadores da UFV desenvolvem equipamento para maior proteção durante intubação de pacientes com Covid-19;
  • Nuvem de gafanhotos pode estar relacionada ao aquecimento global;
  • Maior nuvem de poeira dos últimos 50 anos viaja do Saara para as Américas;
  • Nasa renomeia sua sede em homenagem à engenheira Mary W. Jackson;
  • Pesquisadora da UFV produz cartilha para orientar profissionais de saúde a atender pessoas transgênero.

Pesquisadores da UFV desenvolvem equipamento para maior proteção durante intubação de pacientes com Covid-19

Vídeo da reportagem sobre a tecnologia criada pela Comissão de Produção de Inovações Tecnológicas para o combate ao Covid-19.

Pesquisadores da Comissão de Produção de Inovações Tecnológicas para o combate ao Covid-19 desenvolvem equipamento para proporcionar maior segurança a profissionais de saúde no tratamento de pessoas com Covid-19. A tecnologia é uma caixa de acrílico para ser utilizada durante a intubação orotraqueal, uma das mais arriscadas situações de atendimento a pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o equipamento possui pelo menos três diferenciais em relação a outros modelos utilizados em hospitais brasileiros desde o começo da pandemia. O primeiro deles é a possibilidade de acesso por três profissionais simultaneamente, pelos seus seis orifícios para introdução dos braços e manuseio dos equipamentos de intubação. O segundo é um dispositivo para vedação composto por uma válvula e uma manga-íris, que propiciam um ajuste ergonômico e flexível para quem estiver lidando com o paciente. E o terceiro é uma luva descartável de látex de cano longo acoplada ao dispositivo, que fornece aos profissionais um recurso protetor complementar.

Todo o invento se baseia em ampliar a quantidade e a qualidade de barreiras que isolam os profissionais de secreções e gotículas liberadas durante o procedimento de intubação. “Minimizar a dispersão de aerossol no decorrer da intubação orotraqueal é fundamental para reduzirmos a probabilidade de contaminação da equipe de saúde, que nessas circunstâncias, mesmo com todos os equipamentos de proteção que já utiliza, fica mais exposta ao contato com o vírus”, explica a professora do Departamento de Medicina e Enfermagem (DEM) da UFV, Flávia Diaz.

Desde o início da pandemia, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa vêm atuando em várias frentes para ajudar no combate da doença Covid-19. Veja.


Nuvem de gafanhotos pode estar relacionada ao aquecimento global

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Avião com pesticida tenta combater nuvem de gafanhotos na Argentina/reprodução.

Nos últimos dias, a notícia que uma nuvem de gafanhotos vinha da Argentina em direção ao Sul do Brasil deixou medo na população. Apesar do pânico, a espécie Schistocerca cancellata não causa danos diretos a saúde humana e nem a de animais, e nem é vetor de nenhuma doença. Contudo, os insetos causam grandes danos econômicos a produções agrícolas, o que preocupa fazendeiros.

A nuvem tem por volta de um quilômetro quadrado de área, e especialistas estimam que pode chegar a 40 milhões de insetos. Segundo o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), os insetos podem percorrer até 150 km por dia, dependendo da direção dos ventos; e consomem diariamente o equivalente ao que um rebanho de 2 mil vacas ou o que 350 mil pessoas comeriam.

Por mais que seja um evento incomum, nuvens de gafanhotos são eventos naturais. No entanto, as mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global, fazem com que esses eventos aconteçam com frequência e intensidade maior. De acordo com o climatologista e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Carlos Nobre, mudanças no clima servem como uma espécie de gatilho biológico para que eles se tornem gregários. “As ondas de gafanhotos se formam após uma forte chuva, seguida por um período de calor, depois de uma estação muito seca. Com essa combinação de fatores, os gafanhotos começam a se reproduzir e migram de acordo com a direção do vento”, diz ele.

Caso a nuvem entre no Brasil, o potencial de deslocamento é grande, e provocaria uma infestação em todo o país. O governo declarou estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Veja.


Maior nuvem de poeira dos últimos 50 anos viaja do Saara para as Américas

Nuvem de poeira Godzilla
Nuvem de poeira, Godzilla, que viajou do Saara para as Américas (Foto: NASA/NOAA)

Outra nuvem essa semana nos deixou de cabelo em pé. Agora formada por poeira vinda do deserto do Saara, no norte da África, é a maior e mais intensa dos últimos 50 anos. Conhecida como “Godzilla”, o fenômeno chegou ao Caribe e está indo para a América do Norte.

A massa de ar extremamente seca e empoeirada, que pode chegar a 3 quilômetros de espessura, é conhecida como Camada de Ar Saariana, pois se forma sobre o deserto do Saara. Ela é apanhada pelos ventos alísios, elevada à atmosfera, e arrastada através do Atlântico Norte. Este evento ocorre a cada três ou cinco dias, do final da primavera ao início do outono no Hemisfério Norte, e atinge seu pico durante os meses de junho, julho e até o início de agosto, afirma meteorologistas à Associated Press (AP).

A poeira do Saara é fundamental para a manutenção da vida na Terra, porque fornece nutrientes importantes que fertilizam o solo da Floresta Amazônica com as partículas que viajam da África para as Américas. Apesar de contribuir com o funcionamento do nosso planeta, a nuvem deste ano é maior que o normal e está afetando a qualidade do ar em diversas cidades das Américas Central e do Norte, o que pode causar ou agravar problemas respiratórios — o que deixa ainda mais preocupante tendo em vista a pandemia de Covid-19. Veja.


Nasa renomeia sua sede em homenagem à engenheira Mary W. Jackson

Mary Winston Jackson superou as barreiras do preconceito e foi a primeira engenheira negra da história da Nasa (Foto: Reprodução/Nasa)

Quem assistiu ao filme Estrelas além do tempo, de Theodore Melfi, lançado em 2017, conhece a história do trio de mulheres negras, Katherine G. Johnson (interpretada por Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary W. Jackson (Janelle Monáe), que faziam parte do grupo de mulheres conhecidas como computadores, numa época em que as leis de segregação racial ainda estavam em vigor.

Poucos sabem, mas o sucesso do programa espacial da NASA que levou o primeiro norte-americano, John Glenn, em fevereiro de 1962, a dar três voltas na órbita terrestre, o que mais tarde possibilitou a viagem espacial, deveu-se em grande parte a esse grupo de mulheres.

Mary W. Jackson foi a primeira engenheira aeroespacial da NASA. Ela trabalhou na construção do túnel de pressão supersônico, que posteriormente serviu para testes de veículos espaciais. Para homenagear sua contribuição para a ciência, seu legado na história da luta pelos direitos da mulher e do movimento negro, a agência espacial norte-americana passará a chamar sua sede em Washington D.C., de Edifício Mary W. Jackson. Veja.


Pesquisadora da UFV produz cartilha para orientar profissionais de saúde a atender pessoas transgênero

Pessoas Transgênero e Seu Atendimento por Profissionais da Saúde
“Aqui na UFV estamos tentando esclarecer estas questões e qualificar nossos alunos, que irão trabalhar em todo o Brasil, para estarem melhor preparados ao lidar com este desafio”, diz Isabela de Castro.

Ao perceber a necessidade e desejo de formação dos seus alunos do 6º período, em 2017, para um melhor atendimento a pessoas transgênero, a professora Isabela Ferreira de Castro, do Curso de Medicina, gerou uma cartilha para orientar o atendimento a este público específico.

A cartilha, intitulada “Pessoas Transgênero e Seu Atendimento por Profissionais da Saúde: Orientações para o atendimento integral de população transgênero na Atenção Primária à Saúde de Viçosa – MG e microrregião“, foi produto de uma dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFV.

O conteúdo visa responder a perguntas frequentes entre os profissionais de saúde: Como lidar com a população LGBTQIA+ num atendimento de rotina em consultórios? Que obstáculos pessoas transgênero sofrem ao procurar atendimento médico? Além de conter conceitos básicos de sexo, gênero, transgênero, homens e mulheres trans, entre outros. Dividida em mais duas partes, a segunda mostra como o atendimento deve ser feito nas unidades básicas, a condução da entrevista clínica e o fluxo que estes pacientes podem seguir na rede de saúde; e a terceira parte traz ainda os direitos já adquiridos pela população transgênero.

O material será impresso e distribuído aos profissionais da região, mas já está disponível para download. “Sei que vamos ter resistência de alguns profissionais que não veem a necessidade de um atendimento diferenciado, mas aos poucos eles irão perceber que entender o universo LGBTQIA+ qualifica o atendimento e ajuda a reduzir o sofrimento destas pessoas”, diz a pesquisadora. Veja.


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