Quais os tipos de testes de detecção do coronavírus e por que o resultado demora?

Publicado por Daniel Silva em

A doença Covid-19 é responsável por milhares de mortes em todo o mundo. No Brasil, de acordo com a base de dados de monitoramento de casos da doença, desenvolvida por um doutorando do programa de Pós-graduação em Física da UFV, o número de óbitos já chega próximo a 90 mil, e o número de infectados atinge a marca de 2 milhões.

A maneira mais estratégica de se evitar a disseminação e o contágio do vírus é com o distanciamento social. Com o decreto de quarentena em março deste ano, alguns brasileiros tiveram o privilégio de pausar suas atividades sócio-econômicas e reduzir suas movimentações a somente locais essenciais, como farmácias e supermercados. Apesar do aumento diário de casos, depois de 5 meses de confinamento, muitas cidades flexibilizaram as restrições e ignoram as recomendações sanitárias. Com isso, a discussão sobre a necessidade de realização de testes em massa ganha mais importância, como afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Para falar sobre os tipos de exames que detectam a presença do vírus no corpo, explorar os desafios e as perspectivas, conversamos com o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFV, Gustavo Bressan, Bioquímico e doutor em Biologia Funcional e Molecular.

Em entrevista, ele nos explicou quais os tipos de testes para detecção do novo coronavírus e a diferença de tempo para sair o resultado. Confira!

Detecção genética

Existem basicamente três tipos de métodos de detecção da Covid-19. O primeiro dele se baseia na detecção genética do vírus. Neste, é coletada uma amostra do paciente, processada e utilizada para detecção do material genético do vírus.

Detecção de anticorpos

O segundo tipo de método envolve a detecção de anticorpos no indivíduo. Quando um determinado indivíduo é exposto a infecção viral ele desenvolve uma resposta imunológica contra aquela infecção, na qual é possível identificar se houve produção de anticorpos. Embora os anticorpos comecem a aparecer de forma tardia a infecção, a partir do sétimo dia, são métodos bastante significativos, porque eles indicam a população que já foi exposta ao vírus. Isso têm implicações práticas muito importantes, principalmente no manejo epidemiológico e na definição das pessoas que podem voltar ao trabalho primeiro numa fase de reabertura por exemplo. São métodos que se complementam ao de detecção genética do vírus.

Para o resultado ser contabilizado, o teste rápido precisa ser validado pela Anvisa e pelo INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde) (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Para o resultado ser contabilizado, o teste rápido precisa ser validado pela Anvisa e pelo INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde) (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo) – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Detecção de antígenos virais

O terceiro tipo de método se baseia na detecção de antígenos virais, ou seja, partes moleculares do vírus que estão circulantes nos fluídos corporais. Este também complementa de forma bem interessante a detecção genética, porque a detecção genética tem alguns gargalos consideráveis, principalmente a questão do tempo. Ela demora, pois, para fazer essa detecção genética do vírus é preciso coletar amostra dos pacientes, e encaminhar para um laboratório especializado, que precisa de pessoal especializado e treinado, de equipamentos, e a maior parte dos lugares não têm esses laboratórios especializados. Por isso, a amostra tem que ser coletada, viajar para os laboratórios onde serão feitas as análises, estar numa fila para ser analisada, o que muitas vezes faz com que esse diagnóstico seja demorado. No entanto, a genética ainda é uma ferramenta de diagnóstico muito relevante na detecção da doença, e inclusive a mais recomendada pelos órgãos de controle nacionais e internacionais.

Sobre a fila para diagnóstico pela detecção genética do vírus, ela tem diminuída principalmente pela descentralização dos laboratórios aptos a fazer os testes. O que aconteceu, por exemplo, com atuação das Universidades Federais e dos Institutos de Pesquisa que colocaram sua infraestrutura e seu pessoal a disposição para realizar todos esses testes.

Ensaio molecular (RT-PCR), que identifica a presença ou não do vírus
Ensaio molecular (RT-PCR), que identifica a presença ou não do vírus. (Foto: reprodução)

Os três tipos de testes

No final, os três tipos de testes de identificação do vírus são super importantes no enfrentamento da doença. A experiência dos países que foram bem sucedidos no enfrentamento da Covid-19 mostra que a massificação dos testes, ou seja, conhecer as pessoas que estão contaminadas, ou que já foram contaminadas, o mais rápido possível é fundamental para o correto controle epidemiológico e retorno das atividades econômicas e sociais, dentro do possível. Acredito que o país precisa buscar isso, uma eficiência no diagnóstico, uma massificação de testes de forma a completar todas as ações do sistema público de saúde.


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