Pesquisadores da Unifesp anunciam paciente que está há 17 meses sem vírus HIV: 5 destaques

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


  • Pesquisadores da Unifesp anunciam paciente que está há 17 meses sem vírus HIV;
  • Polo Sul está esquentando três vezes mais rápido do que o resto do mundo;
  • Beija-flores veem cores que nós, humanos, nem sequer imaginamos;
  • Estudo detalha em índice peso de variáveis socioeconômicas em doenças no Brasil;
  • Como se formou o ciclone bomba que levou ventos de 120 km/h ao Sul do Brasil.

Pesquisadores da Unifesp anunciam paciente que está há 17 meses sem vírus HIV

Ricardo Sobhie Diaz
Ricardo Sobhie Diaz em seu laboratório. Ele e sua equipe deverão aguardar o resultado das biópsias dos pacientes vacinados para iniciar a segunda etapa da pesquisa, que consistirá em suspender os medicamentos e observar como reage o organismo daqueles voluntários (foto: Divulgação/Unifesp)

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenado pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, faz ensaio promissor e paciente, que conviveu com o HIV por sete anos, está há 17 meses sem sinais do vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (aids).

O trabalho teve início em 2013 com 30 voluntários com carga viral indetectável e sob tratamento padrão, e tem intuito de acelerar o que o tratamento já estaria fazendo por estas pessoas, diminuir a quantidade de células infectadas. Em reportagem exclusiva da CNN Brasil, os pesquisadores relataram que o paciente parou de tomar os medicamentos contra a doença há um ano e meio, e desde então, o vírus não foi detectado em seu corpo nem mesmo após passar por exames de alta precisão de diagnóstico. Outra evidência de que o vírus tenha desaparecido foi a queda progressiva do número de anticorpos que combatem o HIV, que são parâmetro para descobrir se uma pessoa contraiu o vírus ou não. Os primeiros resultados foram anunciados em 2018.

Célula humana infectada por HIV
Célula humana infectada por HIV (Foto: Flickr/NIH Image Gallery/Creative Commons)

O estudo foi realizado em duas frentes. Na primeira utilizaram medicamentos que eliminam o microrganismo durante sua replicação e células infectadas, mesmo que o vírus esteja adormecido nelas; e a segunda visa o desenvolvimento de uma vacina que leve o sistema imunológico a reagir contra as células doentes que os fármacos não conseguiram eliminar.

Apesar dos resultados promissores, ainda é muito cedo para se falar em cura. De acordo com os pesquisadores, após as análises de sangue e das biópsias do intestino reto dos pacientes vacinados, é preciso suspender todos os medicamentos de um deles e acompanhar como seu organismo irá reagir ao longo dos meses ou, até mesmo, dos anos. Veja.


Polo Sul está esquentando três vezes mais rápido do que o resto do mundo

Polo Sul aquecimento
Polo Sul está esquentando três vezes mais rápido do que o resto do mundo. foto: reprodução

A crise climática causada pelo aquecimento global vem causando cada vez mais desequilíbrio em fenômenos naturais e recordes de temperaturas e mudanças na fauna e flora. Segundo um recente estudo da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia, publicado na Nature Climate Change, o Polo Sul está esquentando três vezes mais rápido que o resto do mundo.

Os pesquisadores analisaram dados meteorológicos de 60 anos, desde 1957, que mostraram o aquecimento acelerado. Até o momento, por anos os cientistas acreditaram que o Polo Sul continuava frio mesmo com o aquecimento do continente. Ao observar os dados, notaram que as temperaturas mais quentes no oeste do Oceano Pacífico tropical tinham causado forte anomalia ciclônica no mar de Weddel, o que transferiu o ar quente e úmido do Atlântico Sul para o interior da Antártica, aquecendo a região.

De acordo com os especialistas, o Polo Sul aquecia 0,6 °C por década, enquanto o resto do mundo estava aquecendo 0,2 °C por década. Veja.


Beija-flores veem cores que nós, humanos, nem sequer imaginamos

Beija-flor-de-cauda-larga
Um beija-flor-de-cauda-larga macho voa no Colorado, EUA, como parte de um experimento sobre visão de cores. FOTO DE NOAH WHITEMAN, UNIVERSITY OF CALIFORNIA, BERKELEY

Na natureza, cada animal possui uma capacidade diferente de perceber as cores. Como a maioria dos primatas, os humanos são tricromáticos, ou seja, nossos olhos têm três tipos de receptores ou cones sensíveis à cor: azul, verde e vermelho. Já os pássaros têm quatro cones de cores, ou seja, eles são tetracromáticos, o que os permitem discernir uma gama mais ampla de cores, incluindo o espectro ultravioleta, com cores como o verde ultravioleta e o vermelho ultravioleta.

Em um recente estudo publicado na revista científica Proceedings of National Academy of Sciences, a bióloga evolutiva da Universidade de Princeton, Mary Stoddard, e seus colegas realizaram uma série de experimentos de campo com beija-flores-de-cauda-larga silvestres. Os resultados surpreendentes revelaram maior número de detalhes até o momento sobre como os pássaros distinguem as cores. De acordo com os autores, os beija-flores são capazes de ver 30% da plumagem das aves e 35% das cores das plantas em tons não espectrais, cores que “os humanos nem sequer conseguem imaginar”.

“Aos olhos de um beija-flor, o mundo pode ser totalmente diferente do que vemos”, diz  Karen Carleton, bióloga evolutiva da Universidade de Maryland. Veja.


Estudo detalha em índice peso de variáveis socioeconômicas em doenças no Brasil

Melgaço no Pará
Melgaço, município de 26 mil habitantes no arquipélago de Marajó, no Pará, recebeu a menor pontuação total, -1, na avaliação do contexto socioeconômico pelo índice GeoSES. Foto: Marcelo Lelis/Ag. Pará

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus trouxe para a superfície mazelas que são a realidade de muitas pessoas no Brasil e no mundo ao atingir, principalmente, os grupos expostos a fragilidade socioeconômica. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em 2017, 48% da população brasileira não possuía coleta de esgoto. Somente no primeiro trimestre deste ano, mais de 40 mil pessoas foram internadas por doenças relacionadas a falhas de saneamento básico, afirma estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).

A geógrafa Ligia Vizeu Barrozo, da Universidade de São Paulo (USP), com uma equipe de estatísticos, matemáticos e médicos, coordenou a construção do Índice Geográfico do Contexto Socioeconômico para Estudos Sociais e Saúde (GeoSES). No artigo publicado na revista PLOS ONE, os autores detalharam o peso de variáveis socioeconômicas em doenças avaliando como local de moradia, escolaridade e renda podem determinar o avanço dos patógenos.

Entenda como renda média domiciliar, educação, mobilidade, pobreza, riqueza, privação material e segregação residencial (distanciamento residencial entre grupos econômico-raciais diferentes) expressa a desigualdade social no Brasil e potencializa epidemias. Veja.


Como se formou o ciclone bomba que levou ventos de 120 km/h ao Sul do Brasil

Ciclone bomba
Ciclone permanece sobre o oceano, no litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, devendo causar novos temporais e ventos fortes nesta quarta (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Na primeira semana de julho, um ciclone bomba atingiu o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O fenômeno extratropical, comum nesta época do ano, deixou vítimas, gerou chuvas torrenciais, queda brusca na temperatura, e ventos de até 120 km/h.

Um ciclone extratropical é um grande sistema climático com baixa pressão em seu centro e precipitação ao longo de suas frentes frias e quentes. Esse fenômeno se caracteriza como “bomba” quando ocorre queda brusca de pressão em seu centro, o que potencializa sua força. A velocidade do vento é uma função da “gradiente de pressão”, que é a magnitude da mudança da pressão atmosférica externa ao ciclone em comparação com a do centro, bem como a rapidez com que a pressão muda ao longo do tempo.

O ciclone bomba surgiu sobre o Oceano Atlântico e a região Sul do Brasil, e são bastante comuns sobre as correntes oceânicas quentes, como a corrente do Golfo na costa leste da América do Norte ou o Kuroshio a leste do Japão. Veja.


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