Pesquisadores produzem álcool em gel feito à base de cachaça para doações: 5 destaques

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


  • Pesquisadores produzem álcool em gel feito à base de cachaça para doações;
  • Pesquisadores descobrem nova conexão entre o toque e o olhar;
  • Pela primeira vez, cientistas conseguem editar DNA mitocondrial;
  • Cientistas recuperam pulmões danificados de doadores com a ajuda de suínos;
  • Por que choramos quando estamos tristes?

Pesquisadores produzem álcool em gel feito à base de cachaça para doações

pesquisa álcool gel a base de cachaça e distribuem de Graça ufla
“Apesar de ser produzido de resíduos de cachaça, o produto teve base em cálculos feitos em laboratório, ressaltando a importância da pesquisa atrelada a extensão. Ou seja, não é para nenhum produtor tentar fazê-lo, pois corre o risco de se queimar ou queimar alguém, além de irritar a pele”, explica a professora Cardoso. Foto: arquivo pessoal pesquisadores

O Álcool em gel virou um produto essencial para o nosso dia a dia. Devido a sua importância na higienização das mãos e objetos para combater a disseminação do novo coronavírus, o item começou a faltar nas prateleiras. Além da falta do produto nos mercadores, o fator econômico foi o outro responsável por limitar o acesso para muitas pessoas.

Na tentativa de solucionar estes problemas, pesquisadores dos laboratórios de Análise de Qualidade da Cachaça e Química Orgânica/Óleos Essenciais da Universidade Federal de Lavras (Ufla) estão produzindo e doando álcool em gel feito à base de cachaça. A iniciativa contou com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) e de professores dos departamentos de Química e Ciências dos Alimentos da Ufla, e pretendem produzir de 2 mil a 2.500 litros de álcool em gel para serem distribuídos.

Para fabricar o álcool em gel, o grupo explica que três frações são recolhidas no processo de fabricação de cachaça nos alambiques. A primeira é rica em componentes voláteis, a segunda é a própria cachaça, e a terceira tem os componentes mais pesados. Dessas, somente a segunda é aproveitada. Para produzir o álcool em gel a equipe adquiriu o álcool, obtido da primeira e terceira fração da cachaça com os produtores de alambique da região. Adicionaram pasta de carbopol, estabilizante, antibactericida, gotas de óleo essencial, prepararam uma mistura baseada em cálculos estequiométricos, e também fizeram a medida do pH e do grau alcoólico, tudo padronizado para não ter problema e nem irritar a pele.

Os pesquisadores já produziram quatro remessas que foram doadas às entidades filantrópicas, asilos, presídios, polícias Civil e Ambiental, além de todos os funcionários da universidade. Veja.


Pesquisadores descobrem nova conexão entre o toque e o olhar

Pesquisadoras descobrem relação entre olhar e toque (Foto: Creative commons)
Pesquisadoras descobrem relação entre olhar e toque (Foto: Creative commons)

De acordo com um recente estudo da Universidade de Nova York (NYU), nos Estados Unidos, os movimentos oculares podem indicar nossa capacidade de prever informações, independentemente das sensações táteis. “Essa conexão entre os olhos e o toque revela uma ligação surpreendente entre percepção, cognição e ação”, diz Stephanie Badde, pesquisadora de pós-doutorado da NYU e primeira autora do estudo.

Para realizar os experimentos, os pesquisadores pediram que alguns voluntários distinguissem dois tipos de vibrações produzidas por um dispositivo conectado aos seus dedos: rápidas, de alta frequência; e lentas, de baixa frequência. Enquanto os participantes sentiam as vibrações, os estudiosos acompanharam seus olhares o tempo inteiro, rastreando até mesmo pequenos movimentos involuntários dos olhos, conhecidos como micro-sacadas, que ocorrem quando tentamos fixar nosso olhar em um ponto.

“O fato de que pequenos movimentos oculares podem prejudicar nossa habilidade de discriminar estímulos táteis, e que a supressão desses movimentos antes de um estímulo tátil antecipado pode aprimorar essa mesma habilidade, pode significar que áreas comuns do cérebro, bem como recursos neurais e cognitivos, atuam nos movimentos dos olhos e no processamento de estímulos táteis”, explica Marisa Carrasco, professora de psicologia e ciências neurais da NYU, também autora do estudo.

A pesquisa foi publicada em julho deste ano na revista científica Nature Communications. Veja.


Pela primeira vez, cientistas conseguem editar DNA mitocondrial

Mitocondrias
Mitocôndrias são estruturas celulares comumente chamadas de “casas de força” da célula – por centralizarem a produção de energia. Foto: wir0man/Getty Images

Uma equipe de cientistas desenvolveu um método capaz de editar o material genético das mitocôndrias, estruturas celulares que têm a função de produzir energia. O feito histórico pode ajudar cientistas a reverter mutações nas mitocôndrias que causam doenças genéticas raras.

A pesquisa, publicada na revista Nature, oferece uma nova oportunidade de se estudar as chamadas mitocondriopatias, doenças ligadas a mutações no DNA das mitocôndrias e que ainda permanecem em grande parte misteriosas para a medicina, como a neuropatia óptica hereditária de Leber e a síndrome de Kearns-Sayre.

Diferente do DNA do núcleo da célula, o DNA mitocondrial não consegue ser editado com os métodos já conhecidos, porque a mitocôndria é muito pequena, não é fácil ultrapassar as membranas que envolvem a organela, e se for partido, ele se degrada rapidamente.

O sucesso se deu por utilizarem uma enzima chamada DddA, naturalmente produzida pela bactéria Burkholderia cenocepacia. A enzima DddA consegue transformar uma base nitrogenada citosina (C) em uma base uracila (U) quando encontra com uma molécula de DNA. A uracila é uma base típica de RNA (fita única), e não de DNA, e se comporta como uma base timina (T). Na hora de replicar o DNA modificado pela enzima, a célula confunde a receita e acaba trocando o “U” por “T”. Ou seja: no final do processo, a enzima DddA consegue trocar bases “C” por bases “T”, editando o material genético.

A DddA facilmente entra na mitocôndria, e por isso, ela pode ser usada para substituir essas bases no DNA mitocondrial e editar o material genético. No entanto, ainda precisa de muitos estudos para utilizar a técnica em humanos. Veja.


Cientistas recuperam pulmões danificados de doadores com a ajuda de suínos

Pesquisadores resgatam pulmões danificados para transplante em 24h (Gif: reprodução/ Columbia University)

A falta de doadores de órgãos é um problema de saúde pública. Os pacientes que aguardam transplantes enfrentam alta mortalidade na lista de espera, principalmente, em caso de necessidade de pulmão, pois a lesão impede o uso da maioria dos pulmões doados.

Visando contornar a baixa disponibilidade de órgãos, pesquisadores da Universidade de Columbia e da Universidade Vanderbilt, instituições dos Estados Unidos, conseguiram recuperar cinco dos seis pulmões que estavam destinados para transplantes. O estudo foi publicado na revista Nature Medicine com o título circulação cruzada xenogênica para recuperação extracorpórea de pulmões humanos lesionados.

Para salvar os pulmões, a equipe precisaria de um ventilador mecânico, normalmente utilizado em procedimentos de recuperação mais simples, mas também de um organismo inteiro, em pleno funcionamento. A ideia é que com ele fosse possível remover resíduos metabólicos e fornecer a energia necessária para manter o órgão vivo, e respirando, até que sua saúde fosse restaurada por completo para que ele fosse, finalmente, transplantado.

No primeiro momento, os cientistas testaram a recuperação de pulmões danificados de porcos nos próprios porcos conectando cada pulmão a uma grande veia no pescoço do animal, de modo que o sangue fluísse através dos vasos. Depois de perceberem que os órgãos conectados se mantiveram “respirando” por quatro dias, tempo suficiente para que até os mais gravemente danificados se recuperassem, repetiram o mesmo procedimento com seis pulmões humanos. Cinco foram conectados através de uma cânula na jugular de animais que haviam sido imunossuprimidos, para impedir que o sistema imunológico dos porcos atacasse os pulmões e o sexto foi anexado a um porco que não havia sido imunossuprimido.

Com 24h de procedimentos, todos os órgãos ​conectados aos animais imunossuprimidos estavam, novamente, saudáveis. Testes de laboratório também confirmaram que as células pulmonares haviam se recuperado. Entenda por que isso é um grande salto para salvar vidas. Aqui.


Por que choramos quando estamos tristes?

chorar choro
Archv/Getty Images

O choro é uma forma de comunicação entre humanos. Os bebês usam o choro como única forma de expressar fome ou dor para a mãe. Já entre os adultos da espécie, acredita-se que a função evolutiva do choro é despertar empatia no outro e estimular a ajuda em momentos de necessidade. Por ser uma reação involuntária do corpo, o ato de chorar é mais eficaz do que um pedido de ajuda verbal.

Segundo a psiquiatra Betina Lejderman, além da comunicação entre indivíduos, o choro possui funções fisiológicas. Ele libera hormônios e neurotransmissores que aliviam a tristeza e a dor. A encefalina, encontrada nas lágrimas emocionais, funciona quase como um analgésico, com ação semelhante à da morfina, remédio da classe dos opioides, que tem um potente efeito no tratamento da dor crônica ou aguda muito intensa. Além disso, já se sabe que expressar as emoções, seja de forma verbal ou não verbal, alivia as tensões e ajuda a elaborar as emoções.

Entenda como colocar tudo para fora para fazer você se sentir melhor. Aqui.


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