Estudante cria guia para identificar sintomas de doenças na pele negra: 5 destaques científicos

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


  • Estudante cria guia para identificar sintomas de doenças na pele negra;
  • Por que o mosquito da dengue tem preferência por seres humanos?
  • Pesquisa mostra que ações na primeira infância impactam positivamente a aprendizagem;
  • Fazer atividades físicas usando máscara é prejudicial?
  • Exame de sangue pode detectar câncer anos antes dos primeiros sintomas.

Estudante cria guia para identificar sintomas de doenças na pele negra

Capa do manual desenvolvido pelo estudante (Foto: Reprodução)
Capa do manual desenvolvido pelo estudante (Foto: Reprodução)

Ao perceber que não conseguiria diagnosticar doenças na sua própria pele, o estudante de medicina, Malone Mukwende, decidiu voltar seus estudos para os diversos tons de pele negra, e criou um guia que pode melhorar o ensino e diagnóstico médico.

“Éramos frequentemente ensinados a procurar sintomas como erupções vermelhas, que eu sabia que não apareceriam desta forma na minha própria pele”, afirmou Mukwende, em entrevista ao BME Medics. “Ao sinalizar isso para os tutores, ficou claro que eles não conheciam outra maneira de descrever essas condições em pacientes com tons de pele mais escuros — e eu sabia que precisava mudar isso.”, termina ele.

O Mind the Gap (“Cuidado com o vão”, em tradução livre), é um manual que mostra como os sintomas de diversas doenças se apresentam em vários tons de pele. O estudante da St. George’s, Universidade de Londres no Reino Unido, contou com a ajuda de dois colegas, que concordaram que o guia era parte essencial da “descolonização” do currículo. 

Este guia em breve estará disponível na internet e ajudará a população negra de todo o mundo a identificar sintomas de potenciais doenças na própria pele. Veja.


Por que o mosquito da dengue tem preferência por seres humanos?

Pesquisadores do Reino Unido investigam a preferência de alguns mosquitos por seres humanos (Foto: Emphyrio/Pixabay)

Existem mais de 3,5 mil espécies de mosquitos pelo mundo e somente algumas delas se alimentam do sangue humano. Com a picada, estes insetos disseminam doenças infecciosas que causam milhões de mortes todos os anos, o que faz deles uma das espécies mais mortais do mundo. O Aedes aegypti, é um dos mais conhecidos e ele pode transmitir dengue, febre amarela, Zika e Chikungunya.

Em um artigo publicado na revista Current Biology, os autores da Universidade de Princeton, no Reino Unido, investigaram a preferência dos mosquitos por seres humanos e concluíram que, basicamente, é uma questão evolutiva e dois fatores desempenham um papel importante nessa “escolha”: o clima seco e a vida urbana. O estudo foi feito com o Aedes aegypti, por três anos, na África subsaariana onde muitas espécies de mosquitos ainda não têm uma preferência direta por seres humanos. Após analisar o comportamento dos pequenos insetos, os cientistas descobriram que os mosquitos têm preferências diferentes, ou seja, alguns preferem picar os humanos e alguns preferem outros animais.

De acordo com os pesquisadores, o aquecimento global e a rápida urbanização podem modificar o comportamento dos mosquitos, isso porque nas regiões mais densas e quentes as preferências são maiores por humanos. Essa constatação é preocupante, uma vez que se mais espécies picarem mais os seres humanos no lugar de outros animais, é possível espalhar uma série de novas doenças. Veja.


Pesquisa mostra que ações na primeira infância impactam positivamente a aprendizagem

Escola em Sobral
Escola em Sobral possui resultados acima da média nacional no Ideb Foto: Antonio Gois

A cidade de Sobral, no interior do Ceará, ganhou atenção de pesquisadores e gestores após se destacar nas avaliações de aprendizagem do MEC. De acordo com dados do ministério, 97% de suas crianças no 5º ano possuem aprendizado adequado em Português e Matemática.

O inédito estudo coordenado pelos pesquisadores Mariane Koslinski e Tiago Bartholo, da UFRJ, com apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, sinaliza um novo elemento que pode também ajudar a explicar o resultado: políticas intersetoriais na primeira infância, que não se resumem ao que acontece em sala de aula. Além das ações extra-escolares, o atendimento na pré-escola tem impacto positivo no desenvolvimento dos estudantes.

Segundo o secretário municipal de educação de Sobral, Herbert Lima, a intersetorialidade das ações voltadas para a primeira infância em Sobral nem sempre é destacada, mas essa é sem dúvida uma característica marcante de sua política. Assim que nasce um bebê, o sistema de saúde já informa o de educação. Há um atendimento prioritário de famílias em maior situação de risco, para garantir que, desde os primeiros meses de vida, o bebê tenha a alimentação adequada e seja acompanhado por agentes da saúde.

A pesquisa conclui que o desenvolvimento cognitivo está fortemente associado ao desenvolvimento motor e socioemocional das crianças durante a pré-escola e que a frequência escolar nessa faixa etária de 4 e 5 anos em Sobral tem impacto positivo na aptidão física e coordenação motora. Veja.


Fazer atividades físicas usando máscara é prejudicial?

Máscara e atividade física
Pessoas andam na praia do Recreio dos Bandeirantes, em meio ao surto da doença por coronavírus (COVID-19), no Rio de Janeiro Sergio Moraes/Reuters

As máscaras são uma espécie de barreira que impede a disseminação de gotículas que são eliminadas dos pulmões durante a fala. Essas gotículas podem atingir uma distância de dois metros, e em caso de contaminação, infectaria pessoas que não estivessem usando o item de proteção, tanto em ambientes fechados quanto ambientes externos. Diante desse novo cenário, especulações são levantadas: utilizar máscara durante a atividade física é prejudicial?

Ao praticar qualquer tipo de atividade, aumentamos o número de incursões respiratórias no processo de hiperventilação e o ar sai com mais força e maior velocidade dos pulmões. “As gotículas que são eliminadas poderiam ter um alcance maior do que os dois metros de uma conversa normal. Existe um desconforto durante a prática física com a máscara, sem dúvida, mas dada a circunstância, a necessidade e o risco que a gente tem por conta da pandemia, a utilização das máscaras se faz necessária“, afirma o pneumologista da BP (A Beneficência Portuguesa de São Paulo), José Rodrigues Pereira.

“Uma grande questão é o risco para a saúde da utilização das máscaras, além do pequeno desconforto que ela pode causar. Durante a atividade física extrema, extenuante, jamais foi testada a segurança das máscaras em relação à troca gasosa dos pulmões nesse tipo de situação. Então para que a máscara não traga problemas para que a gente faça uma atividade física segura, é importante que a intensidade da atividade seja diminuída”, continua José Rodrigues.

José menciona que estudos anteriores com pacientes que tiveram SARS em 2003, viram que a utilização das máscaras N95 (aquelas que ficam mais vedadas no rosto) gerou um pequeno aumento na concentração de gás carbônico no sangue, mas ainda dentro do que a gente se considera uma faixa de normalidade. Veja.


Exame de sangue pode detectar câncer anos antes dos primeiros sintomas

exame-amostra-sangue
CONNECT WORLD/SHUTTERSTOCK

Pesquisa cria método de detecção de câncer capaz de identificar a doença quatro anos antes do diagnóstico convencional. O estudo, publicado na revista científica Nature, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Fudan, na China, e o primeiro teste foi chamado de PanSeer.

O método consiste em um exame com base na metilação do DNA, analisando o plasma sanguíneo em busca dos chamados grupos metil, moléculas que costumam aparecer no DNA de possíveis tumores. O sistema capaz de identificar grupos metil foi aplicado em 605 amostras coletadas de voluntários entre 2007 e 2014. Dentre estes, 191 desenvolveram um dos cinco tipos de câncer avaliados no estudo – e 95% deles deram positivo no PanSeer. Os 414 voluntários que não desenvolveram a doença, o teste também teve alto índice de acerto: deu negativo em 96% dos casos.

O trabalho traz grandes esperanças para o tratamento da doença, uma vez que detectar o câncer de forma precoce aumenta dramaticamente as chances de sobrevivência. Outra vantagem do exame é ser menos invasivo do que outros, como a colonoscopia e a mamografia.

Embora os resultados sejam animadores, eles são preliminares. O exame ainda não conseguiu indicar qual dos cinco tipos de câncer o indivíduo tinha, somente apontou que havia um tumor em algum lugar do corpo. Veja.



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