Pesquisadores do Ceará querem doar pele de tilápia para tratar vítimas no Líbano: 5 destaques científicos

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


  • Pesquisadores do Ceará querem doar pele de tilápia para tratar vítimas no Líbano;
  • Pesquisadores da UFRN provam diferenças estruturais entre sonhos REM e não REM;
  • Cientistas encontram câncer ósseo avançado em fóssil de dinossauro;
  • Pesquisadores encontram novo material essencial para avanço da computação;
  • Unicamp desenvolve novo teste que identifica o coronavírus a partir de fungos.

Pesquisadores do Ceará querem doar pele de tilápia para tratar vítimas no Líbano

Técnica para uso da pele de tilápia foi desenvolvida no Ceará — Foto: Viktor Braga/UFC
Técnica para uso da pele de tilápia foi desenvolvida no Ceará — Foto: Viktor Braga/UFC

O Projeto Pele de Tilápia, realizado no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), sob coordenação do Dr. Odorico de Moraes, da Universidade Federal do Ceará (UFC), se mobilizou para enviar pele de tilápia ao Líbano. Após a explosão na capital Beirute que deixou 4 mil feridos e mais de 100 mortos, os pesquisadores disponibilizaram seu estoque para tratar as vitimas.

Em suas pesquisas, o projeto mostra a eficácia do uso da pele de tilápia em queimaduras de 2º e 3º graus e lesões na pele, agindo como um “curativo biológico” no processo de cicatrização. A recuperação pode acontecer em um intervalo de 2 dias a até um mês e meio dependendo da profundidade da queimadura. Esse método também reduz a troca de curativos, perda de líquido, a contaminação do meio externo para dentro da ferida, e outros custos operacionais clínicos.

Segundo o pesquisador Carlos Roberto Paier, a pele da tilápia é um produto experimental, ainda não autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), motivo pelo qual o envio dos 40 mil cm² de estoque de pele ainda é burocrático. O biólogo Felipe Rocha, pesquisador do projeto, explica que é preciso consenso entre as autoridades das duas nações para poder realizar o envio do material. “Como é um material de pesquisa, os Ministérios da Saúde dos dois países precisam se contactarem e autorizar o envio e o uso. Mas a pesquisa já está bem avançada e os resultados de efetividade de efeito já são comprovados e publicados em artigos nacionais e internacionais”, afirma ele.

Além do tratamento em queimaduras, a pele do peixe também foi usada em aplicações cirúrgicas ginecológicas, técnica idealizada pelo médico Leonardo Bezerra, professor da UFC. Veja.


Pesquisadores da UFRN provam diferenças estruturais entre sonhos REM e não REM

Criança dormindo. Reprodução/internet.

Pesquisa do Instituto do Cérebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), liderada pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, prova que sono REM (Movimento Rápido dos Olhos na sigla em inglês) é o que apresenta maior conectividade de palavras, criando narrativas mais complexas. O primeiro estudo que avalia as diferenças estruturais entre relatórios de sonhos REM e não REM por análise gráfica foi publicado na revista Plos One, da Public Library of Science.

Estudos clássicos dividem o ciclo do sono em pelo menos quatro estágios. O inicial N1 ocorre, normalmente, pouco depois de fechar os olhos, sendo caracterizado por sonhos muito breves. Por seguinte, vem os estágios N2 e N3, em que a diminuição dos ritmos cardíacos e respiratórios, relaxamento dos músculos e diminuição da temperatura são registrados. Em todos esses estágios é possível obter relatos de sonhos, mas é durante o sono REM que se relata a maior e mais intensa atividade onírica. Mesmo com inúmeros estudos sobre aspectos dos relatos de sonhos, faltava ainda uma comparação quantitativa da organização estrutural, palavra a palavra, dos relatos durante diferentes fases do sono.

“Outra relevância é que os resultados sugerem que este método, simples e não invasivo, pode nos informar objetivamente o grau da complexidade do funcionamento do nosso cérebro. Assim, uma análise longitudinal pode nos ajudar a detectar precocemente doenças neurodegenerativas.”, diz John Fontenele Araújo, co-oriantador do trabalho. Veja.


Cientistas encontram câncer ósseo avançado em fóssil de dinossauro

Grupo de Centrosaurus
Ilustração mostra um grupo de Centrosaurus, um dinossauro de até 6 metros de comprimento que viveu no Canadá há 75 milhões de anos — Foto: Raul Lunia/Leemage via AFP

Um osteossarcoma, tipo de câncer ósseo agressivo, foi diagnosticado nos restos de um Centrosaurus, espécie herbívora que viveu durante o período Cretáceo, há 76 milhões de anos, sendo um dos maiores dinossauros com chifre de toda a América do Norte. O trabalho, publicado na revista científica The Lancet Oncology, foi realizado pelos pesquisadores do Museu Real de Ontário (ROM) em parceria com a Universidade McMaster, no Canadá.

Para chegar ao diagnóstico de osteossarcoma, o grupo de cientistas formado por profissionais médicos de áreas como patologia, radiologia, cirurgia ortopédica e paleopatologia, utilizaram um processo rigoroso. Primeiro, examinaram, documentaram e moldaram o osso para realizar tomografias computadorizadas de alta resolução. Depois, o fóssil foi seccionado e examinado em um microscópio para avaliação do nível celular-ósseo. Poderosas ferramentas de reconstrução 3D foram utilizadas para visualizar a progressão do câncer através do osso. Por último, uma fíbula humana com caso confirmado de osteossarcoma e uma fíbula normal de um dinossauro da mesma espécie foram utilizadas para comparação e confirmação do diagnóstico.

Nenhum tumor que pode se espalhar pelo corpo e ter complicações graves havia sido documentado em dinossauros anteriormente. O estabelecimento de vínculos entre doenças humanas e doenças do passado pode ajudar os cientistas a entenderem melhor a evolução e a genética de várias enfermidades. Veja.


Pesquisadores encontram novo material essencial para avanço da computação

Computação
O próximo passo da pesquisa é estudar o comportamento desta substância a temperaturas muito baixas, para entender se podem ter características de supercondução, o que permitiria pensar no elemento também para computação quântica. Reprodução/internet.

Depois de mais de 30 anos de pesquisas, uma equipe de pesquisadores físicos e químicos descobriu um material com uma tríade de características raras e muito procuradas. Este material KV3SB5 tem o potencial de revolucionar o design de memória e processadores de computador – e está sacudindo os entendimentos fundamentais da física. O trabalho, publicado na revista Science Advances, envolve a documentação de um efeito eletromagnético “gigante” em um material já complicado e raro.

O elemento chamado de KV3Sb5, nome que vem dos elementos químicos da substância, tem capacidades chamadas de “magnetos metálicos frustrados”. De maneira geral, essa característica impede o ordenamento magnético tradicional de um elemento, levando-o a estados exóticos de organização. Os teóricos especulam que a interação do magnetismo frustrado com os elétrons em viagem poderia resultar em propriedades exóticas como supercondutividade não convencional. Além disso, ele também abriga um tipo especial de elétron chamado “elétron de Dirac“, no qual seus elétrons são muito mais rápidos e muito mais leves do que o seu elétron comum.

O efeito eletromagnético gigante que essas características combinadas tornam possível é algo chamado de efeito Hall anômalo (AHE). Esse efeito se refere a uma maneira como os ímãs e a carga interagem e podem ser intrínsecos (ou seja, a estrutura do material determina como os elétrons se movem através dele) ou extrínsecos (em que certas características da estrutura criam mais dispersão). Qualquer um desses AHEs mudará a forma como os elétrons se espalham pelo material, alterando assim a informação que é transportada. Veja.


Unicamp desenvolve novo teste que identifica o coronavírus a partir de fungos

Fungos e coronavírus.
A partir de um fungo, novo teste para COVID-19 da Unicamp identifica presença do novo coronavírus em amostras. Imagem: Gerd Altmann/Pixabay.

Cientistas do Laboratório de Genômica e bioEnergia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um novo teste rápido de detecção do coronavírus que promete ser mais acessível. O método consiste em relacionar alterações nas cores das leveduras com a presença do coronavírus em uma amostra salivar ou da nasofaringe do paciente. Nesse caso, uma tonalidade avermelhada confirmaria a infecção.

As leveduras são organismos unicelulares muito usados para a fabricação de iguarias fermentadas, como pão e vinho. Esse novo modelo de teste foi chamado pelos pesquisadores da Unicamp de Coronayeast, que é a junção do nome do vírus com o do fungo, em inglês.

Para desenvolver a nova metodologia foi inserido na levedura um gene que facilita a entrada do novo coronavírus nas células humanas, a proteína humana ACE-2. Em caso de contaminação, após um período de incubação, um hormônio associado passa a ser abundante no local e, dessa forma, são ativados genes que tornam a levedura vermelha e fluorescente. Esse exame seria barato e, como não é invasivo, poderia ser aplicado inúmeras vezes, até mesmo pelos próprios pacientes.

Embora o teste tenha identificado o coronavírus, os cientistas ainda investigam o tempo mínimo para se chegar a um diagnóstico conclusivo da infecção e tentam entender a partir de quando o exame passa a identificar a doença. Agora, a equipe aguarda a patente da invenção, enquanto busca financiamento para disponibilizar o produto no mercado em, no máximo, seis meses. Veja.


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