O que sabemos e não sabemos sobre a vacina russa com Atila Iamarino: 5 destaques científicos

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


  • O que sabemos e não sabemos da vacina russa com Atila Iamarino;
  • Sensor adesivo da USP pode rastrear substâncias no suor e detectar novas doenças;
  • Cientistas testam aerossol que pode conter a disseminação do SARS-CoV-2;
  • Nova substância pode avançar ligação entre IA e cérebro humano;
  • Pesquisadores da UFG desenvolvem teste de Covid-19 mais eficiente que PCR.

O que sabemos e não sabemos da vacina russa com Atila Iamarino

Na semana passada, o biólogo e pesquisador Dr. Atila Iamarino compartilhou em seu perfil no Instagram uma explicação do que sabemos e não sabemos sobre a Sputnik V, primeira vacina do mundo contra o coronavírus (SARS-CoV-2) desenvolvida pelo governo russo. Com o anúncio feito pelo presidente da Rússia Vladimir Putin, o mundo vibrou ao imaginar o fim da pandemia. No entanto, apesar de dizerem que a imunização em massa da população contra a Covid-19 começará em outubro, a produção do imunizante está cercada de dúvidas e alguns mistérios. Antes de comemorarmos, alguns passos precisam ser cumpridos para que ela seja considerada segura e eficiente.

De acordo com o Atila, a estratégia teórica da vacina utilizada pelos cientistas do Centro Gamaleya é válida. A metodologia usa vetores adenovirais, que consiste basicamente na utilização de um outro vírus com um pedaço do coronavírus para estimular respostas de anticorpos, ou seja, imunizar as pessoas. Mesmo com método promissor, o desenvolvimento da Sputnik V intriga a comunidade científica por não ter, até o momento, dados de ensaios clínicos anteriores realizados em menos de dois meses, o que corresponde às fases 1 e 2, publicados na forma de artigos científicos (validados por outros pesquisadores) em periódicos internacionais.

Vacina Coronavírus Russa
Vacina russa deve ser testada no Paraná e, caso se comprove a eficácia, deve ter produção nacional (Imagem: Sputinik V/Centro Gamaleya).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que não recomenda o uso das doses da vacina russa logo após a notícia que ela estaria pronta para ser comercializada. O Jarbas Barbosa da Silva Jr., diretor-assistente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da OMS, afirmou que seu uso não será recomendado e que antes de iniciar as aplicações, segundo o diretor, é preciso que a vacina tenha seus ensaios concluídos e sejam analisadas pelas autoridades regulatórias de cada país.

No site oficial criado pelo laboratório Centro Gamaleya não possui informações precisas sobre a nova vacina. Os resultados dos testes continuam ocultos da população.


Sensor adesivo da USP pode rastrear substâncias no suor e detectar novas doenças

Pesquisadores da USP São Carlos desenvolvem novo sensor que detecta biomarcadores pelo suor (Imagem: Rui Sintra/IFSC/USP).

Pesquisadores do Instituto de Física e de Química da USP São Carlos desenvolveram um sensor em forma de adesivo para detectar biomarcadores no suor e ser uma alternativa para as séries de exames de rotina, como o de urina e sangue. O projeto é coordenado pelo pesquisador e professor da USP, Osvaldo Novais de Oliveira Júnior.

Sem o uso de plásticos e com conexão wireless, o novo sensor, quando fixado sobre a pele, permite detectar e quantificar diferentes substâncias presentes no suor. Entre os biomarcadores que o adesivo pode identificar estão o sódio, potássio, o ácido úrico, o ácido láctico e a glicose. Segundo Robson Rosa da Silva, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, entre as vantagens do novo sensor está a sua capacidade de fixação na pele, através de um material natural, a nanocelulose. “A nanocelulose microbiana é um polímero 100% natural, produzido por bactérias a partir do açúcar. Sua principal vantagem em relação ao plástico é que ele propicia uma interface muito maior com a pele e já é encontrada no mercado há alguns anos na forma de curativos”, diz ele.

Devido a sua eficácia, outra aplicação possível do sensor de nanocelulose é o monitoramento do diabetes e o controle hormonal em mulheres, por meio da detecção do hormônio estradiol, afirma Robson. Indo além, esse sensor poderia até mesmo ser usado para detectar a presença de poluentes atmosféricos no organismo, que seriam expelidos pelo suor. Veja.


Cientistas testam aerossol que pode conter a disseminação do SARS-CoV-2

Cientistas desenvolvem molécula que pode conter a disseminação do SARS-CoV-2 (Imagem: Reprodução/internet).

Cientistas da Universidade da Califórnia em San Francisco desenvolveram uma molécula totalmente sintética e pronta para a produção que impede o vírus de infectar nossas células. Em uma formulação de aerossol, apelidada de “AeroNabs” pelos pesquisadores, as moléculas poderiam ser auto-administradas com um inalador e conter a disseminação do SARS-CoV-2.

O projeto AeroNabs visa fornecer proteção contra o SARS-CoV-2 até que uma vacina esteja disponível. Ele foi projetado inspirado por nanocorpos, proteínas imunes semelhantes a anticorpos que ocorrem naturalmente em lhamas, camelos e animais relacionados. “Embora funcionem de maneira muito semelhante aos anticorpos encontrados no sistema imunológico humano, os nanocorpos oferecem uma série de vantagens exclusivas para uma terapêutica eficaz contra o SARS-CoV-2”, explicou o co-inventor Aashish Manglik, MD, PhD, professor assistente de química farmacêutica que frequentemente emprega nanocorpos como ferramenta em suas pesquisas sobre a estrutura e função das proteínas que enviam e recebem sinais através da membrana celular.

A equipe de pesquisa está em negociação com parceiros comerciais para aumentar a fabricação e os testes clínicos. Se esses testes forem bem-sucedidos, os cientistas pretendem tornar o AeroNabs amplamente disponível como um medicamento. Veja.


Nova substância pode avançar ligação entre IA e cérebro humano

Polímero do Pedot (Foto: David Martin/ACS).

Cientistas da Universidade de Delaware descobriram nova substância que tem capacidades de transmissões elétricas podendo ser usada diretamente para a produção de implantes na medicina. O polímero, chamado de Pedot, tem capacidade de interagir com o corpo humano sem causar danos à pele, e poderá ser utilizado com antibióticos ao redor de uma veia rompida para acelerar o crescimento de volta, por exemplo.

De acordo com os pesquisadores, o desafio estava em criar um elemento que não fosse nocivo à pele. Ao usar elementos que criam fissuras no tecido humano, a corrente elétrica é interrompida e o implante deixa de funcionar. Com o Pedot, os cientistas conseguiram criar um polímero que pode ser usado como um filme, uma fina camada, com antibióticos e outras substâncias que agem mais próximo do problema. “Escolha sua biomolécula favorita e você pode, em teoria, fazer um filme de Pedot com qualquer grupo biofuncional que quiser”, informou Dr. David Martin, líder da pesquisa.

Os implantes apresentados não são ainda o que a cultura pop poderia chamar de ciborgues, no entanto, este elemento é visto como um bom passo para isso. Na American Chemical Society Fall 2020, evento do setor de química que ocorreu virtualmente na última segunda-feira (17), o Pedot foi apontado como o mais importante momento para unir inteligência artificial com o cérebro humano. Veja.


Pesquisadores da UFG desenvolvem teste de Covid-19 mais eficiente que PCR

Teste desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás utiliza microchip para detectar Covid-19 de forma mais rápida (Foto: Reprodução/Universidade Federal de Goiás)
Teste desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás utiliza microchip para detectar Covid-19 de forma mais rápida (Foto: Reprodução/Universidade Federal de Goiás).

Equipe de pesquisadores do Instituto de Química e do Laboratório de Genética Molecular e Citogenética do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveu um novo teste para detectar a Covid-19. A técnica, chamada RT-LAMP, utiliza microchips descartáveis para detectar RNA do coronavírus com maior sensibilidade e menor preço.

Semelhante ao PCR (reação em cadeia da polimerase), o padrão-ouro para diagnóstico do Sars-CoV-2 atualmente, o método desenvolvido na UFG também atua detectando o RNA do vírus na amostra coletada. A leitura do DNA viral é feita pelo próprio microchip, que necessita de um volume pequeno (na ordem de microlitros) de secreção do paciente e reagentes para amplificar o RNA do coronavírus. Para a reação acontecer, a estrutura de teste é aquecida e centrifugada. Se o vírus estiver presente, uma cor verde fluorescente aparece sendo possível a leitura do resultado a olho nu, devido à forma colorimétrica.

O processo do novo teste é mais barato, simples e rápido que os atualmente feitos, e tem vantagem por ser descartável, portátil e não exigir instrumentação específica para a coleta. O resultado sai em menos de duas horas, e segundo os pesquisadores, o RT-LAMP é 10 mil vezes mais sensível que o PCR, e chega a ser 40 vezes mais barato em relação ao padrão-ouro. Veja.


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