Brasileiros criam app que detecta dor em animais domésticos: veja os 5 destaques científicos da semana

Publicado por Daniel Silva em

5 notícias destaques de estudos científicos da semana


  • Pesquisadores brasileiros criam app que detecta dor em animais domésticos;
  • Metodologia de ensino matemático faz alunos evoluírem 1,3 ano em 10 dias;
  • Projeto da UFV adapta conhecimento para agricultura sustentável e acesso a mercados;
  • Método pode reduzir incidência de dengue em até 77%, mostra estudo;
  • Estudo revela como algumas pessoas controlam o HIV sem remédios.

Pesquisadores brasileiros criam app que detecta dor em animais domésticos

Pesquisadores da CESAR School e da Unesp desenvolvem aplicativo que detecta quando animal está sentindo dor (Foto: Melissa Pontes)
Pesquisadores da CESAR School e da Unesp desenvolvem aplicativo que detecta quando animal está sentindo dor (Foto: Melissa Pontes).

Aplicativo capaz de detectar em tempo real quando um animal doméstico está sentindo dor é desenvolvido por grupo de pesquisadores da escola de inovação CESAR School, em Recife, e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, no interior de São Paulo. Animal Pain, como é chamado, foi criado para facilitar o trabalho de veterinários e os cuidados de tutores.

O trabalho é coordenados pelo professor e médico veterinário Stelio Luna, que graças ao grupo de cientistas veterinários chefiado pelo docente, coloca Brasil como pioneiro nesse tipo de tecnologia. Até o momento, o app está baseado na escala de avaliação de dor apenas para gatas recém-castradas. “Mais para frente, pretendemos incluir testes para outros bichos”, explica o professor.

O aplicativo funciona da seguinte forma: primeiro, o tutor ou profissional deve criar um novo usuário para o animal com seu nome e acrescentar seu peso, sexo e idade. Depois, é preciso responder a um formulário com questões sobre a alimentação da gata, se ela está se movimentando e como anda seu sono. Junto as perguntas fornecidas no teste, o aplicativo também possui materiais com os exemplos de comportamentos. “O app disponibiliza vídeos com situações reais para o tutor ou veterinário conseguir avaliar melhor o animal”, revela Melissa Pontes, engenheira sênior de testes e professora da CESAR School.

“Agora, queremos que pessoas leigas, os tutores, também aprendam a mexer no app, porque quanto maior for a experiência, melhor a performance”, diz o professor da Unesp. Ainda em setembro, é previsto a disponibilidade do app para profissionais e donos de gatas castradas. Veja.


Metodologia de ensino matemático faz alunos evoluírem 1,3 ano em 10 dias

Alunos da rede pública desenvolveram 1,3 ano de aprendizagem de matemática em apenas 10 dias (Foto: Divulgação)

Pesquisadores aplicam técnica de ensino em curso de férias sobre matemática com 70 crianças do 5º ano do ensino fundamental de duas escolas municipais de Cotia (SP). O programa foi promovido pelo Instituto Sidarta, liderado por Jack Dieckmann, diretor do Centro de Pesquisas Youcubed da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

Chamado de “Mentalidades Matemáticas”, o método propunha o ensino da disciplina de forma visual, intuitiva e criativa para conquistar os estudantes e aumentar seu rendimento. “Aplicamos essa metodologia de ensino norte-americana no Brasil para entender qual seria o impacto no contexto dos nossos alunos”, afirma Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta.

Os alunos da rede pública apresentaram resultados surpreendentes. Os participantes foram avaliados antes e depois do curso de férias em provas que analisaram a quantidade de erros e acertos, também calcularam o nível de precisão de cada solução. O curso mostrou que o desenvolvimento do pensamento matemático e o reconhecimento da matemática em diferentes situações do cotidiano são habilidades essenciais.

“Nos últimos anos, temos ensinando matemática de uma forma ultrapassada. É preciso ensinar a lógica que está por trás de cada conta e cálculo. Os alunos precisam desenvolver um raciocínio crítico e elaborado para que possam resolver problemas mais profundos”, diz Chang. Veja.


Projeto da UFV adapta conhecimento para agricultura sustentável e acesso a mercados

Imagem de divulgação do projeto.

Visando diminuir a pobreza rural, tendo como foco o desenvolvimento agrícola sustentável do Semiárido nordestino, o projeto AKSAAM (Adaptando Conhecimento para a Agricultura Sustentável e o Acesso a Mercados) é financiado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), e gerido pela Fundação Artur Bernardes (Funarbe).

Sua execução se dá pelo Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS), e é vinculado à UFV desde 2019. O professor Marcelo José Braga, do Departamento de Economia Rural, diretor do IPPDS e coordenador do AKSAAM, explica que o projeto tem cinco eixos temáticas, tais como inclusão produtiva; acesso a mercados e políticas públicas; meio ambiente e adaptação às mudanças climáticas; monitoramento e avaliação de projetos, e programas e segurança alimentar e nutricional. De acordo com ele, muitos professores da UFV, especialmente dos departamentos de Solos, Economia Rural, Agronomia e Administração, atuam como coordenadores de ações nesses eixos.

O IPPDS coordena a implementação de ações que visam aumentar a produtividade dos agricultores e melhorar o acesso deles ao conhecimento, às tecnologias e ao mercado por meio de parcerias estratégicas no Nordeste brasileiro e também em alguns países da América Latina. Para alcançar um grande número de agricultores e agricultoras, o AKSAAM conta com uma rede de parcerias de organizações de base a instituições de pesquisa públicas e privadas reconhecidas pela sua tradicional interação com agricultores familiares. Atualmente, são 14 projetos coordenadas pelo IPPDS, com o apoio dessas parcerias. Todos selecionados pela equipe técnica da UFV e por consultores do FIDA. Veja.


Método pode reduzir incidência de dengue em até 77%, mostra estudo

Mosquitos tratados com bactéria podem reduzir a incidência da dengue e outras doenças (Foto: Wikimedia Commons)
Mosquitos tratados com bactéria podem reduzir a incidência da dengue e outras doenças (Foto: Wikimedia Commons)

Estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, desenvolve método para controlar doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue, que é disseminada pelo Aedes aegypti. A técnica utiliza bactérias do gênero Wolbachia, que tem o papel de evitar a transmissão de vírus por picadas de mosquitos para assim diminuir a incidência de doenças, como zika, chikungunya e febre amarela.

A pesquisa foi feita por 27 meses na cidade de Yogyakarta, Indonésia, país que apresenta cerca de 7 milhões de casos de dengue por ano. Na cidade do teste, os cientistas dividiram o município em 24 áreas e liberaram mosquitos infectados com Wolbachia em metade dessas regiões, escolhidas aleatoriamente. A equipe analisou 8.144 casos de dengue em indivíduos de 3 a 45 anos que estiveram pelas regiões nos últimos 10 dias. Como resultado, eles descobriram a ocorrência de dengue em áreas onde mosquitos com Wolbachia eram predominantes havia reduzido em 77%.

A bactéria utilizada não representa qualquer perigo a humanos ou aos próprios insetos, apenas atuam no bloqueio da transmissão do vírus causador da dengue. Veja.


Estudo revela como algumas pessoas controlam o HIV sem remédios

Cientistas descobriram como inverter a latência de células infectadas pelo vírus do HIV (Foto: Wikimedia Commons)
Estudo revela como algumas pessoas conseguem “tratar” HIV sem remédios (Foto: Wikimedia Commons)

Em todo mundo, cerca de 38 milhões de pessoas estão infectadas pelo HIV. Dentro deste grupo, alguns parecem ter um “superpoder” biológico e mantém o vírus causador da aids em níveis indetectáveis sem utilizar antirretrovirais (ARV), conhecidos como controladores de elite. O estudo que desvendou este mistério foi publicado na revista Nature e foi liderado pelo imunologista Xu Yu, que trabalha no Instituto Ragon do Hospital Geral de Massachusetts, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade de Harvard, todos nos Estados Unidos.

Os pesquisadores encontraram sequências raras de DNA do vírus HIV após analisarem bilhões de células de 64 controladores de elite e 41 indivíduos em uso de antirretrovirais. A descoberta veio após usarem técnicas avançadas de sequenciamento genético para mapear com precisão onde o RNA viral fica “escondido”. Segundo a equipe, quem tem esse “superpoder”, o genoma do microrganismo fica alojado nos chamados “desertos de genes”.

Em resumo, nosso DNA é composto por milhares de genes, no entanto, boa parte dele está desativada e, até onde se sabe, não serve para muita coisa. Enquanto na maioria das pessoas os fragmentos de HIV se “escondem” nos genes ativos, nos controladores de elite o microrganismo fica alojado nessa parte inativa. Isso faz com que o vírus fique bloqueado e não se replique. “O que acontece com esses indivíduos pode lançar luz sobre a cura do HIV-1”, explicou Keith Hoots, diretor dos Institutos Nacionais de Saúde (EUA). “E também nos ajudar a entender como uma pessoa com HIV pode controlar o vírus e evitar comorbidades associadas a ele.”. Veja.


0 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *